Guia Tátil de Ruas: Ipiranga, São Paulo


Trabalho apresentado junto ao Núcleo Pró-Acesso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Escola de Design e Artes Visuais da Universidade Veiga de Almeida (apoio da FAPERJ) no seminário “Acessibilidade no Cotidiano”, que ocorreu enre os dias 21 e 23 de setembro de 2004, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

endereço eletrônico do seminário: clique aqui

DEGREAS, H. N. ; GOZZO, Ruberval . Guia Tátil para o atendimento de pessoas portadoras de deficiência visual: propiciando o exercício da cidadania. In: Seminário: acessibilidade no cotidiano, 2004, Rio de Janeiro. Acessibilidade no Cotidiano: programação e resumo dos trabalhos, 2004.

 

Trabalho completo:

Guia Tátil de Ruas Ipiranga

Prática Experimental em ambiente acadêmico: relato de experiência desenvolvida no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo do a FIAMFAAM Centro Universitário

 

 

 

Experimental Practice in academic environment:
report of an experiment carried out in the model office of the
Architecture and Urban Planning Course at FIAM-FAAM University Center

Drª Helena Napoleon Degreas[1]; Drª Paula Katakura[2]

RESUMO

As transformações no mundo do trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as mudanças e transformações do mundo contemporâneo e que atendam às complexas demandas de uma sociedade em constante mudança. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações problema contextualizados em realidade vivenciada pelo aluno. O texto abordará, por meio da descrição de um objeto pedagógico denominado “mapa tátil e de baixa visão” desenvolvido em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, o papel pedagógico desempenhado pelos programas e projetos de pesquisa e extensão realizadas no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo da FIAM-FAAM para a construção de novos conhecimentos visando à aquisição das habilidades, competências e aprofundamento dos conhecimentos tecnológicos dos futuros profissionais em ambiente acadêmico.

Palavras-chave: escritório modelo, prática profissional, programas de extensão universitária, mapa tátil e baixa visão, habilidades e competências em arquitetura.

Mapa Tátil Urbano: FIAMFAAM Campus Liberdade 

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

ABSTRACT

Transformations in the world of work call for qualified professionals in the architecture and urban planning area who follow the alterations and transformations of the contemporary world and who atend the complex demands of a society in constant change. To achieve that level, the pedagogical project must make viable the inseparable coexistence of relations between theory and experimental practice, seeking for solutions to problematic situations contextualized in the reality experienced by the pupil. By means of the description of a teaching tool called tactile and low vision map developed in partnership with the Dorina Nowill Foundation for the Blind, the text will broach the
pedagogical role played by the programs and research projects and outreach projects carried out in the model-office of the Architecture and Urbanism course at FIAM-FAAM for the building of new knowledge aiming at the acquisition of skills, abilities and deepening of the technological knowledge of future professionals in an academic
environment.
Keywords: model office, professional practice, university outreach
programs, tactile and low vision map, skills and abilities in architecture.

RESUMEN

Las transformaciones en el mundo del trabajo están exigiendo profesionales de la arquitectura y del urbanismo cualificados, que sigan las transformaciones del mundo contemporáneo y que lleven a cuidado de las demandas de una sociedad compleja en cambio constante. Para eso, el proyecto pedagógico debe hacer posible la coexistencia indisociable de relaciones entre la teoría y las prácticas experimentales, buscando la solución de los problemas contextualizados en la realidad conocida por el aluno. El texto abordará, por medio de la descripción de un objeto pedagógico denominado “mapa táctil y de baja visión””en sociedad con la fundación Dorina Nowill para Cegos, la función pedagógica desempeñada por los programas y proyectos de pesquisa y extensión realizadas en el taller-modelo del curso de Arquitectura y Urbanismo de la FIAM-FAAM para la construcción nuevos conocimientos buscando la adquisición de las habilidades, de las competencias y de la profundización del conocimiento tecnológico de los futuros profesionales en el ambiente académico.

Palabras-clave: Taller-modelo, Práctica profesional, Programas de extensión universitaria, Mapa táctil y de baja visión, Habilidades y competencias en arquitectura.

Introdução

As mudanças no ambiente de trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as transformações do mundo contemporâneo e que atendam às demandas de uma sociedade altamente complexa. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações-problema contextualizadas em realidade vivenciada pelo aluno.

As grandes transformações da sociedade nas últimas décadas estão refletidas nas mudanças no comportamento humano, principalmente da população que se concentra nos centros urbanos. Estão em permanente mudança os hábitos de morar e de trabalhar, que demandam novas soluções para a edificação, a cidade e o ambiente. O conhecimento voltado à produção do habitat do ser humano quer nos seu abrigo individual, quer nos seus espaços coletivos, não pode ficar alheio a essas transformações e exige preparação de profissionais, arquitetos e urbanistas, capacitados para enfrentar essa nova realidade.

Neste contexto, com o aumento das informações disponíveis, a educação deve considerar a forma individual de aprendizagem, trabalhar a capacitação cognitiva, a interpretação, a procura da informação e a indagação por meio de um programa que contemple a interconexão daquilo que se aprende unindo inteligência e criatividade. O profissional arquiteto e urbanista, deverá saber identificar problemas, compreender a realidade e seus diferentes atores, transformando a matéria e criando soluções para o espaço da sociedade, tomando decisões e relacionando campos de conhecimento antes isolados.

Torna-se cada vez mais importante a necessidade de reciclagem constante de trabalhadores e profissionais devido à quantidade dessas novas informações, instrumentos de trabalho e formas de acesso ao conhecimento que se internacionalizou.

A formação não se dá ou se encerra na entrega do diploma ou da certificação profissional. Assim como situações diante da vida profissional deixam de ser previsíveis inviabilizando a adoção de soluções pré-concebidas. Esses trabalhadores e profissionais deverão estar preparados para aprender a ser, aprender a aprender, aprender a conviver, aprender a fazer continuamente, adotando nova postura pró-ativa face às novas e imprevisíveis situações que deverão ocorrer ao longo de toda sua vida profissional. Esse será o desafio a ser percorrido e vencido pelas instituições de Ensino Superior: como desenvolver egressos que tenham internalizado em seu processo de formação e desenvolvimento constantes as competências pessoais, sociais, cognitivas e produtivas ou ainda laborais necessárias para sua inserção no mundo de relações complexas e interdependentes?

Trata-se de uma mudança de paradigmas que leva ao enfrentamento de um desafio: a adequação dos projetos político-pedagógicos e métodos de ensino dos cursos de arquitetura e urbanismo ao atendimento da formação fundamentalmente educativa e focada não apenas na educação profissional, mas também no desenvolvimento de condutas e atitudes com responsabilidade técnica e social.

Essa formação deve estar expressa no conjunto de ações pedagógicas que serão tomadas para a viabilização dos programas de pesquisa, ensino e extensão garantindo o desenvolvimento das competências e habilidades previstas para a formação do perfil profissional pretendido para cada curso.

Um ponto importante a ser ressaltado ainda é a interpretação e a forma de como se tem dado o ensino que objetiva o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais em arquitetura e urbanismo em sala de aula a partir dos profissionais de ensino. Existem algumas evidências extraídas de levantamentos informais em nossa área de atuação que apontam para uma formação pedagógica específica insuficiente destes docentes na área de educação e formação para a atividade de ensino e formação profissional que atendam ao texto da Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Embora altamente titulados e qualificados em seus campos de atuação profissional vinculado à arquitetura e ao urbanismo, apresentaram na elaboração de seus programas de curso metodologia e aplicação de recursos pedagógicos insuficientes para o desenvolvimento de conceitos básicos na área de educação profissional tais como saberes, habilidades e competências. Outro ponto a considerar é a forma como esses conceitos (parcialmente compreendidos) são trabalhados no dia a dia com os alunos na forma de novas ações pedagógicas. Ocorre que na insuficiente formação específica para o ensino em cursos de pós-graduação de arquitetura e urbanismo, os profissionais voltados à docência adotam modelos construídos ao longo de sua formação espelhando-se, num primeiro momento, em professores cujas atitudes e comportamentos exerceram influência em sua prática docente.

Pode-se acrescentar a tradição culturalmente internalizada entre arquitetos professores que é a de que o aprendizado ocorre por meio da transmissão do ofício ou ainda, que a arquitetura e o urbanismo podem ser apreendidos por meio do discurso realizado pelos mestres sobre o que é a arquitetura, o urbanismo e como se deve agir para alcançar êxito em seus desenhos, projetos e planos. Pode-se afirmar que para esse caso, aprende-se por influência, materializando-se na formação dos alunos os princípios, práticas e visões de arquitetos tradicionalmente reconhecidos pela qualidade de suas obras. A construção de novos conhecimentos e a transmissão de saberes, práticas, comportamentos, visões de mundo desses profissionais devem permanecer nos currículos, mas a eles precisam ser incorporadas novas práticas pedagógicas que privilegiem o processo de busca, construção, apropriação, utilização e aplicação desses saberes para com isso atender à urgente formação de profissionais cientes de suas responsabilidades éticas, sociais, ambientais e preparados para responder a uma sociedade complexa.

É nesse contexto que as atividades extensionistas vinculadas aos cursos de arquitetura e urbanismo de instituições de ensino superior privadas ganham especial relevância: podem, além de viabilizar a transferências de saberes, conhecimentos e inovações tecnológicas para a sociedade por meio de ações dirigidas (palestras, eventos, campanhas, atividades assistencialistas, cursos, oficinas, viagens, entre outras), também apoiar processos educativos para todas as comunidades envolvidas (internas e externas à IES) voltados para resolução de problemas complexos multidisciplinares vinculados as questões sociais. Desta relação de confronto entre a troca de saberes acadêmico e popular nasce a produção de novos conhecimentos e a integração com a sociedade.

Atividades de extensão na formação profissional e pessoal do arquiteto e urbanista

A resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo abrange um espectro bastante amplo de conhecimentos para a formação profissional e qualificação do arquiteto e urbanista na abrangência de suas competências profissionais. A Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005, por sua vez, que dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea. As duas expressam claramente em seus textos habilidades específicas que encontram-se estreitamente relacionadas ao campo de trabalho e ao saber fazer e saber ser que são exigidas postos e ocupações de trabalho e habilidades de gestão que relacionam-se ao desenvolvimento de competências relacionais, pessoais, cognitivas e produtivas.

O ensino de atividades complexas (supervisão, orientação técnica, coordenação, planejamento, projetos, especificações, direção, execução de obras, ensino, consultoria, vistoria, perícia e avaliação) e que viabilizam o pleno exercício de algumas atividades referentes à Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005 e a Resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 necessitam de ambientes específicos de ensino/aprendizagem complementares à sala de aula que por sua vez continuarão a contribuir na construção das bases científicas, instrumentais e tecnológicas do futuro profissional. Cabe à extensão por meio de ações sociais extraclasse (atividades complementares, estágios voluntários entre outros) realizadas em seus escritórios-modelo, canteiros de obra, núcleos ou laboratórios de habitação e habitat, desenvolver e aprofundar as competências cognitivas, relacionais, pessoais e produtivas levando o egresso a assumir de forma segura e consciente responsabilidades  contidas em sua profissão.

Visando a criação de um ambiente de projeto que aprofunde a formação dos alunos do curso pela inclusão de experiências práticas focadas em questões sociais e vinculadas ao ensino teórico, é criado o Escritório Modelo. Sua missão é a qualificação profissional realizada por meio da prática em situações reais e com o envolvimento de alunos, professores, comunidade e profissionais de formações diversificadas em todas as etapas dos projetos. Na qualidade de centro de referência e integração das atividades teóricas e práticas desenvolvidas no Curso de Arquitetura e Urbanismo assume funções pedagógicas que permitem e incentivam ações multidisciplinares, interdisciplinares entre os alunos do Curso de Arquitetura, os alunos e professores dos demais cursos do centro universitário, profissionais vinculados a empresas, parceiros e representantes de comunidades externas à IES. A partir da inserção de novos atores e agentes vinculados a grupos diversificados, o escritório pretende desenvolver o potencial dos alunos nas seguintes competências:

Pessoais: pelo desenvolvimento de atividades de prestação de serviços sociais de sua competência profissional e adequados aos conhecimentos por ele desenvolvidos até o ciclo do curso em que está inserido, o aluno potencializa a autoconfiança, autoconhecimento, auto-estima ao constatar na prática que seu trabalho e seus conhecimentos são capazes de atender as demandas; aprimora o seu projeto de vida por meio da consciência do que quer ser, auto-realização, dando sentido a vida profissional, pois é capaz de exercitar o ofício ainda em ambiente acadêmico respaldado sempre pelas orientações advindas dos professores/arquitetos responsáveis pela tutoria dos alunos e projetos;

Relacionais: o convívio com o outro desenvolve o caráter interpessoal, por meio do reconhecimento do outro, do convívio com opiniões diversas das suas e com grupos, estimula a interação e aprimora a comunicação; o aluno necessariamente precisa expressar-se, expor as suas opiniões ao grupo em reuniões de trabalho internas ao escritório e externas quando da visita à obra, pesquisas de campo ou ainda quando da entrega de etapas de projeto.

Cognitivas: de maneira geral, estimula-se a leitura, a escrita, a representação gráfica de suas idéias, o cálculo para resolução de problemas, o acesso a informações acumuladas em várias áreas de conhecimento e distintas mídias, desenvolvendo a capacidade de pesquisa pela busca, organização, sistematização de informações adquiridas em distintas áreas de conhecimento e análise propositiva. Essa situação por estar localizada fora do âmbito das disciplinas do curso, exercitando e aprimorando o autodidatismo e o construtivismo.

Produtivas: por se tratar de projetos inéditos, multidisciplinares e compostos por agentes e profissionais multidisciplinares, desenvolvem-se as competências básicas que vão da criatividade objetivando a criação de um novo objeto à gestão/produção do conhecimento, além da profissionalização, da auto-gestão, gestão e co-gestão de equipes.

Pretende-se com este recurso pedagógico aproximar o aluno do mercado de trabalho e facilitar a constatação de satisfação em relação à carreira escolhida. A experiência diária demonstra que a procura de soluções para os problemas da sociedade e das comunidades envolvidas, obriga o desenvolvimento de soluções criativas, de aplicação imediata, que envolvem recursos muitas vezes restritos, demandas e restrições a serem analisados, prazos a serem cumpridos. Neste ambiente de ensino/aprendizagem a pesquisa não é puramente acadêmica, pois o envolvimento e a realização dos projetos contribuem para a integralização das atividades de pesquisa e extensão.

Ao se voltar para a sociedade e para os problemas externos ao do seu próprio ensino, o escritório exercita a flexibilidade do aluno na resolução de uma problemática real que está sujeita a alterações advindas das distintas demandas de todos os atores e agentes envolvidos no projeto, contextualizando-o numa situação real e concreta. Exercita e amplia seu projeto de vida e compreensão de mundo, pois ao contextualizar problemas que muitas vezes estão distantes de seu cotidiano, viabiliza a constituição de significados às coisas, dando sentido a tudo o que ele aprendeu em sala e fora dela.

Relato da experiência pedagógica adquirida a partir do Acordo de Cooperação Técnica entre a Fundação Dorina Nowill para Cegos e FIAMFAAM para a execução de Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão.

O escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo vem realizando por meio de suas práticas, atividades de atendimento a diversos públicos buscando não apenas a  transmissão e aplicação dos conhecimentos construídos em ambiente universitário, como também o aprofundamento dos conhecimentos e práticas pedagógicas que levam ao desenvolvimento das competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas visando a formação de um ser humano pleno, consciente de suas responsabilidades e um profissional apto a atender as demandas do mercado de trabalho. Foi com esse propósito, que a proposta de parceria para a concepção e construção de objeto pedagógico para a Fundação Dorina Nowill para Cegos foi acolhida. Este objeto denominado Mapa Tátil e Baixa Visão deveria atender aos clientes atendidos pelo programa de mobilidade e orientação urbana em suas aulas com o intuito de instrumentalizar DV- deficientes visuais (cegos e de baixa visão) para o livre caminhar em cidades.

O Brasil, segundo o Censo do IBGE/2000, apresenta uma população com alguma deficiência física (motores, mentais, auditivos, visuais) na ordem de 14,5% da população total, sendo que, as deficiências visuais representam 48,1%, ou seja, 11.8 milhões do total de deficientes, mais de 100% superior à segunda causa de deficiência. Estes dados refletem a urgência na concepção e construção de objetos e instrumentos que visem a compreensão do espaço urbano, de seus equipamento públicos que venham a proporcionar uma maior liberdade a esse cidadão.

O trabalho foi executado a partir da experiência adquirida na elaboração do Guia Tátil de Ruas do Ipiranga para o ICG – Instituto de Cegos Padre Chico em 2003, pelo Núcleo de Pesquisas em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Marcos.

Figura 1: Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

A área selecionada para a confecção da maquete engloba um setor do bairro de Vila Mariana, município de São Paulo, lugar onde está situada a Fundação Dorina Nowill para Cegos. A região é caracterizada por um fluxo intenso e contínuo de pessoas que são atendidas por uma excelente infra-estrutura de transporte e acessibilidade (metropolitano e ônibus). A esta condição privilegiada, associa-se a existência de diversos equipamentos públicos e privados voltados ao atendimento de pessoas deficientes, com necessidades especiais e com mobilidade reduzida.

Um conjunto de recomendações e solicitações referentes ao tamanho, transporte, manutenção, conteúdo, informações técnicas foi feito ao grupo que desenvolveria o protótipo. Por sua vez, o escritório deveria não apenas realizar a tarefa solicitada no prazo previsto como também potencializar o desenvolvimento de algumas habilidades e competências previamente discutidas com a coordenação de curso ao longo do processo de desenvolvimento do protótipo. As etapas do processo de elaboração definidas pelo escritório foram as seguintes:

1.    Concepção de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Reconhecer e compreender a linguagem técnica do desenho como também do alfabeto Braille e formas de leitura do DV;analisar o efeito do uso das cores em DV de baixa visão; desenvolver conhecimentos sobre as formas de orientação e mobilidade de DV; Aplicar os dados da pesquisa realizada para a viabilização do projeto do mapa; interpretar símbolos e convenções técnicas em arquitetura e Braille; Metodologia de pesquisa; tecnologia de matérias, de equipamentos, convenções gráficas e técnicas para desenho; convenções gráficas para escrita Braille; ergonomia aplicada a DV; Uso das cores para DV; desenho geométrico;

1.    Elaboração de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Interpretar legislação, orientações e referências específicas sobre elaboração de mapas urbanos, atendimentos a DV; analisar as condições técnicas econômicas para viabilização do mapa; Utilizar informações de ordem legal e de natureza técnica específica, implementado-as no processo de trabalho; aplicação de dados socioeconômicos estudando a alternativa mais adequada para a execução do projeto; desenhar anteprojeto do mapa tátil; Projeto técnico do mapa tátil e de baixa visão; Desenho do projeto; legislação e convenções de representação; informática aplicada; computação gráfica aplicada; estudos preliminares para a execução do protótipo.

1.    Elaboração de Projeto Executivo

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Os alunos tiveram de eleger materiais para a elaboração do mapa; implementação de regras de controle para a execução das várias etapas de produção do protótipo (corte dos distintos materiais, colagens de todas as peças, etc.) para garantir a qualidade de protótipo; Organização do escritório modelo e do laboratório de maquetes e modelos para a execução do protótipo; Desenho do objeto; convenções técnicas, escalas, etc.; tecnologia de equipamentos, materiais e ferramentas;

1.    Gestão de Processo dos Serviços

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Selecionar as informações técnicas e tecnológicas aplicáveis ao processo de produção do mapa e d seu protótipo; analisar e interpretar preços relativos aos componentes do protótipo e dos serviços; acompanhar o desenvolvimento tecnológico da área de produção dirigida ao atendimento de mercado de deficientes (equipamentos, materiais, serviços, produtos, etc.) Técnicas de gerenciamento organizacional; criação de alternativas para assessoramento do cliente e manutenção técnica do mapa; criar, organizar e manter o cadastro de clientes e serviços utilizados ao longo do processo de execução do mapa; Fundamentos de administração e gestão; gerenciamento e sistematização, organização, arquivamento de informações e cadastros; noções de custos e orçamentos; liderança e relacionamento interpessoal; legislação aplicada; apresentação de trabalho e marketing.

Para a operacionalização das quatro etapas, alguns procedimentos foram tomados. Numa primeira fase foram identificados os membros da equipe de concepção, projeto e execução e definidas as atribuições e atividades de cada um dos seus membros (professor tutor; consultor técnico, estagiário sênior, estagiário júnior, técnicos do laboratório de maquetes), convidados externos (professores de mobilidade e orientação, fisioterapeutas, oftalmologistas, médicos e técnicos especializados da Fundação Dorina e das empresas fornecedoras de produtos para atendimento de pessoas DV); coube aos estagiários voluntários, respeitadas suas atribuições, a elaboração e o encaminhamentos do plano de execução do trabalho, com cronogramas contendo datas de entregas das distintas etapas. Neles, os alunos incorporaram visitas técnicas e reuniões de trabalho tanto no escritório quanto na fundação; As reuniões de trabalhos com os tutores eram semanais e lá os alunos com eventual presença dos técnicos (que também foram sendo capacitados para o desenvolvimento do protótipo) expunham o andamento do trabalho, as dificuldades e alternativas encontradas para a solução dos obstáculos. Os levantamentos para identificação dos principais equipamentos públicos e privados entendidos pela população do bairro de Vila Mariana e pelos clientes da Fundação Dorina foi feito por meio de leitura de mapas existentes (mídia papel e digital) e à pé com intuito de verificar a autenticidade dos dados e das entradas dos principais edifícios vez que os mapas cadastrais da PMSP adequados ao trabalho datam da década de 70.

Os alunos vivenciaram as quatro etapas do processo de desenvolvimento de competências, pois tiveram a possibilidade de conviver com alunos e profissionais de diversas formações e áreas de atuação, proporcionado a formação de um discurso adequado para o diálogo com públicos distintos; foi viabilizada a troca de informações e experiências criando um repertório técnico novo que só a convivência em atividades de trabalho com experiências diversas pode proporcionar. A entrega do projeto executado aos clientes (DV) e a imediata utilização do mesmo para fins de compreensão do lugar onde vivem possibilitou aos alunos muito mais do que a prestação de serviços sociais por meio do exercício de sua competência técnica. A concretização de seu trabalho e sua posterior utilização pelos clientes potencializou sua autoconfiança e auto-estima e auto-realização, pois o exercício do ofício efetivado no escritório modelo e respaldado pelo ambiente acadêmico (tutoria) deu sentido a sua vida profissional.

Referências

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Barboza, Joaquim Oliveira. O Ensino por Competências II. s.ed:s.l.,s.d.

Cegos ganham 1º mapa em braile com o entorno de estação do metrô em SP
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u555632.shtml
Acesso em: 02.05.2009.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz eTerra. 1983.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Mapa Tátil auxilia deficientes visuais em estação do metrô.
Disponível em:

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1087971-5605,00.html

Acesso em: 02.05.2009.

KATAKURA, Paula. Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: FIAMFAAM Centro Universitário, 2006.

Silva, Ricardo Toledo. Estado, políticas públicas e Universidade. In. Revista de Cultura e Extensão – USP. São Paulo Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária N. 00 (agosto a dezembro de 2005). p. 104-125.

Fundamentação Legal

Brasil. Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
Acesso: 15.01.2009.

Brasil. Resolução nº 6 – 2.02.2006. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo e dá outras providências.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces06_06.pdf
Acesso em 15.01.2009.

Brasil. Resolução 1010 – 22.08.2005. Dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea, para efeito de fiscalização do exercício profissional.
Disponível em: http://normativos.confea.org.br/downloads/1010-05.pdf
Acesso em 15.01.2009.

Systems of free open spaces and the constitution of the contemporary public sphere in Brazil: land use and social sustainability

Systems of free open spaces and the constitution of the contemporary public sphere in Brazil: land use and social sustainability

Degreas, Helena Napoleon¹; Macedo, Silvio Soares²
¹ PhD in Landscape Architecture, Professor and researcher of the Department  of Architecture and Urban Planning of FIAMFAAM; member of the research hosted in FAUUSP-QUAPA
² PhD in Landscape Architecture, Titular Professor of  the Department of Landscape and Environment of the College of Architecture and Urban Planning of the University of São Paulo and leader of the national research “System of free spaces and the constitution of the contemporary public sphere in Brazil”

Abstract

This article present a vision of the Brazilian cities considering the production of their system of open spaces that results in new urban patterns, showing the importance of this new approach in the constitution of the contemporary public sphere in Brazil and its importance to the construction of sustainable cities. The article also adopts free open space as the organizing element of the urban landscape, responsible for the diverse morphologic, environmental, aesthetic and functional aspects of the cities. These spaces are elements basic to the performance of social life, because in them occur the leisure, the recreation, the social encounters and the conservation of the natural elements propitiating quality of public life. An intense urbanization process based on the model of “ideal city” toke place in our country but it did not work in Brazil, predominating informal pattern of urbanization, creating the unsustainable city pattern we have today: informal cities that devoid of basic infrastructure and of public equipment showing in its landscapes the results of socio-economic disparities proceeding from a spontaneous manner and shunning urban standards and legal norms. This article is part of the national research program : “System of free open spaces and the constitution of the contemporary public sphere in Brazil ” , supported by FAPESP and led by Silvio Macedo, PhD. Created in August of 2006, it congregates innumerable nuclei of research in university institutions distributed throughout Brazil. It is hosted in the Department of Landscape and Environment of the College of Architecture and Urban Planning of the University of São Paulo.

Keywords: landscape and social sustainability, new urban patterns, legislation.

1     Introduction

During the last few decades of the twentieth century Brazilian cities passed through a rapid process of urbanization coinciding with the end of an accelerated expansion of the economy. Until the 1960s, the urban population in Brazil represented about 45% of the national total. Forty years later, this number reached 80%, taking more than 100 million new inhabitants to the urban centers. These numbers, when associated with a precarious process of urban planning, produced a series of problems in the organization of the land and the distribution of its infrastructure, building social injustices and inequalities into its landscapes.

Coming from an agricultural background, with low levels of instruction and sparsely qualified for formal work in urban areas, the new inhabitants started to illegally occupy the poorly structured outskirts, the environmentally fragile areas such as steep hillsides and valley floors, areas subject to flooding such as fens and riversides, and wooded areas. From then on, urban precariousness spread as a settlement standard, exposing the historic inability of the public authorities to create housing policies capable of attending the housing needs of the low income population. Throughout the country, on one hand appears the city endowed with infrastructure; on the other, the illegal city neglected by their government.

By persistently creating public policies, government programs, projects and interventions in the territories of the legally occupied city, while denying the existence of the urban informality, the city was divided into two groups: the rich city endowed with infrastructure and public equipment and the poor city, of precarious urbanization, whose population has no access to the opportunities of education, health, transport, housing, work and leisure. This situation generated economic valuation, transforming the urban territory into a real estate business. The citizen who has financial resources lives in the legalized city, whose public infrastructure is installed. Those who do not have sufficient resources to pay for a regularized lot, invade the peripheral areas, commercialized illegally by clandestine property salesmen, who sell environmentally fragile areas and publicly owned lands, often originally destined for the implantation of urban equipment such as hospitals, schools, police stations, squares and low-investment parks, making the urban territory extend itself indefinitely, creating illegality and the precariousness of occupation.

2     Towards a sustainable urban planning process: quality of living in Brazilian cities

The Federal Constitution of 1988 included a specific chapter under Heading VII – Of the Economic and Financial Order- that deals with urban public policies. In it, issues are defined relating to the municipal managing plan, to urban property, to the dispossession of property in the cities and to the right of the municipal Public Power to demand the adequate use of urban lots by its proprietors. From this point, a specific and nation-wide legislation was created, that defined and allowed the application of flexible measures by means of legal and administrative instruments to the reality of the informal cities, permitting the regularization and organization of the dwelling places of a great part of the Brazilian population.

It can be affirmed that in Brazil, urban environment sustainability must be procured through a constant search that is only attained by means of a planning process that integrates the plans and action of the diverse instances of government, subordinating the actions of the state to the collective interests and to the construction of citizenship. A citizenship that not only aims at the satisfaction of the minimum basic necessities of a human being, but also seeks the quality of the individual and collective urban life.

3      Legal background for the promotion of change: the Statute of the City

With the objective of carrying out, at the municipal level, the urban policies that are dealt with in articles 182 and 183 the Constitution of the Federative Republic of Brazil, the Law nº 10,257, of July 10, 2001, called Statute of the City, was passed. In it the norms of public order and social interest are established, that regulate the use of urban property in favor of the collective good, of the security and welfare of the citizens, as well as of the environmental equilibrium, guaranteeing the right to sustainable cities. These articles prescribe the obligatory creation and approval of a municipal managing plan as basic instrument of the politics of development and urban expansion for the cities with more than twenty thousand inhabitants.

Figure 1: Brazilian informal cities (QUAPA, 2006)

 

Through the ordering of the social functions of the city and urban property as foreseen in the municipal managing plans, it is intended to prevent and to correct the possible distortions of urban sprawl, inequalities in the provision of infrastructures, degradation and pollution of the environment. Aiming at the sustainability of the cities, the Statute guarantees the right to the organization and control of land use when adopting standards of production, consumption and of urban expansion compatible with the limits of the environmental, social and economic sustainability of its territory by means of the elaboration and regulation of sustainable public politics. In the environmental sphere, the plan points out guidelines for the protection, preservation and recovery of the natural and constructed environment, of cultural, historical, artistic, landscaping and archaeological patrimony. In this way it is hoped that the sustainability of the cities occurs from the availability of, and equitable access to, the right to urban land, housing, environmental sanitation, the urban infrastructure, transport and public services, the opened spaces, work and leisure. These actions intend to meet the needs of present and future generations, adjusting this provision to the real interests and necessities of the population, respecting the limits of urban occupation and densities. One expects that with equitable access, all may have the possibility of developing a productive life, starting from the availability of equal chances for all.

In Brazil, the Statute of the City is considered an innovative law, because it creates the necessary guidelines and planning instruments to make viable an urban reform directed toward the promotion of an equitable and sustainable development of all urban territory considering the environmental, urban and social aspects of the city. Succinctly, the guidelines and instruments are as follows:

– General guidelines for urban policies that guarantee the regularization of real estate and the urbanization of areas illegally occupied by the low income population, by means of the ordinance and control of the use of the land, preventing the speculative retention of urban property.

– Planning instruments destined to assure the social function of the urban property such as the Managing Plan, the division of, and obligatory construction on urban property, slow growth urban property tax, dispossession for ends of urban reform, the right to pre-emption, onerous grant of the right to construct (reclaimed land);

– Instruments of real estate regularization such as the urban processory title, concession of right in rem of use, zones of social interest.

– Instruments of democratic management of the city such as the urban policy councils, conferences of the city, participative budget, public audiences, legislative initiatives by non members of parliament and studies of neighborhood impact.

With this, the accomplishment of the municipal planning conducted by sustainable guidelines must consider the precepts established in federal law guaranteeing urban development, the welfare state and the quality of life of its citizens. The municipal strategic planning is a contemporary management instrument that modifies the traditional form of management that involves a series of complex factors that include the ample knowledge of the territorial physical spaces, of its needs and of its potentialities, the establishment of methodologies, strategies and controls, administration of limited budgets and mainly the popular participation and involvement in the formularization and implementation of the urban projects. Reiterating, this new approach to planning allows the municipal public power to keep the population of the irregular city in its territory, making dialogue and participation possible by means of councils, getting to know its necessities, weaknesses, and making possible the construction of a city of equal opportunities.

In Brazil, the unequal socioeconomic conditions guided the objective of improvement of the quality of life towards the reduction of these disparities by means of the revision of the health politics, education, habitation, security and universalization of access of this population to these services. (Afonso, 2006:62)

Apparently abstract, the concept of quality of life pursued by the strategic municipal planning must be established starting from minimum human survival necessities, inserted in an urban environment. With this, beyond the previously cited policies, new demands such as commerce, transport, work, recreation and leisure are introduced involving new cultural and psychological aspects of the physical, social and psychic well-being of individuals and groups. (Afonso, 2006:68) The urban planning instruments created by the Statute of the City grant the population occupying illegal areas the right to the regulation of the urban property and as a consequence access to the public infrastructure and equipment, thus conferring on them the right to a quality of urban life through the use and enjoyment of the urban space: becoming citizens.

4     The production of Brazilian public space: open space as urban infrastructure and support for public life

The city can be seen and be analyzed through a variety of lenses that can collaborate in the understanding of its complex reality. Under the perspective of sociology, the city is the environment where human relationships have their place. In architecture, these human relationships occur in spaces constructed by man and for man. In ecology, the materialization of things and objects in an artificially constructed environment and whose functioning is fragmented, not systemic, modifies and impacts the natural environment taking it into entropy. For landscape architecture, the city is constructed and perceived by means of its free spaces. Its landscape is perceived and lived deeply by the citizen from the materialization of the relation between what it is built and what is area free of construction. According to Magnoli (1982: 15), the free spaces are the unbuilt: yards, gardens, streets, avenues, squares, parks, rivers, bushes, fens, urban beaches, or simple urban emptiness. Its localization, accessibility and distribution form a complex system of connections with multiple urban roles: free time activities, urban circulation, comfort, environmental conservation and requalification, urban drainage, urban imagery and memory, leisure and recreation, amongst others. They may be public or private.

The research group QUAPA – Picture of Landscaping in Brazil has as study object the Spaces Free of Buildings, understood as sets of public areas and private properties consisting of distinct morphologies and typologies, whose localization and distribution occur in diversified ways throughout all the urban fabric.

The Spaces Free of Buildings are elements or parts of the urban fabric that can be coordinated and contiguous between themselves, generating systems that, by means of the induction generated by public policies, programs, projects and action, lead to connectivity relating them between themselves morphologically, environmentally, functionally or even culturally, constituting a unit that is found to be governed by a systemic logic. The systemic vision provides another view of the contemporary Brazilian city as it relates to and contextualizes urban fragments in its territory, given them new meanings. This “re-signification” can induce different valuations of the same elements, generating new potentials for the use and public appropriation of free spaces which were previously without function, sub-utilized or even degraded.

The research deals with the free space in the public category (with its myriad typologies, forms, uses and functions) and the private category (internal areas within the property) as urban infrastructure responsible for the morphology of the city.

Figure 2: São Paulo: new open spaces proceeding from new urban legislation (QUAPA 2008)

If the city is form in the process of constant construction and reconstruction, the dynamics of daily life of the people creates its content by means of multiple activities and appropriations. We assume that the free space is the place of public life, for social interchange and meetings as it makes possible the percipient experience and daily practice of the relations between the people, giving the city life, theatricality.

Process and social product, the free spaces materialize the time and the necessities of the people who constructed them. In a considerably generalized form, four stages can be cited that morphologically characterized Brazilian cities:

5     The Colonial city and its free open spaces

In the first three centuries of urbanization, Brazil was a simple colony of the Portuguese crown, presenting a process of incipient urbanization which relegated a secondary role to the public free space, considering that it was not the result of a social necessity. In the majority of the Brazilian cities, the private accumulation of wealth defined the political and physical structure of the cities. It was in private property, in the farms that daily and social life was carried out. The sparse and small local population related directly with a luxuriant tropical vegetation and profuse fauna composed by the Atlantic forest that ran the length of the Brazilian coast, where the first urban nuclei if had been installed. Even the cities of Salvador and Rio de Janeiro that were capitals, had some few thousands of inhabitants characterizing themselves as modest agglomerations, true commercial warehouses with humble public free spaces occupied by ambulant peddlers. The main public spaces had basically an institutional influence, that is, the public free spaces were determined by the institution that predominated there in the daily activities of the people. Church and State occupied the squares. The commerce, the manufacture, was situated around it as it characterized the center of the nucleus. Housing in turn surrounded this area forming the residential areas. The activities of social encounters occurred by means of the religious commemorations such as processions. The private spaces of the houses were composed of backyards which, thanks to the poorly developed commerce, represented the space for plantation and subsistence of its inhabitants. It was there that they planted vegetables, fruits, flowers and bred animals for human consumption.

Figure 3: Residential pattern of the 20th century (QUAPA, 2006)

The same occurred in the patios of the convents where the necessity for production of food was more important than that related to the aesthetic attributes of the composition of environments. Except for the city of Recife which had intentional plantation of street arborization and where the first urban park was implanted, in too many cities, the public areas were neglected, accidentally constituted and not always were they paved. Of remaining portion, the nuclei had plazas, leveled places and clearings originating from the informality in the urban production where people, animals and vegetable plots joined.

Figure 4: Pátio São Pedro, Recife (QUAPA 2008)

The vegetation did not appear as an element of prominence or importance in the city. Only in the eighteenth century, in the capital of Rio de Janeiro, the first Public Walk appears, localized on an area of earth fills, this work was done to complement and to improve the linking of the urban nucleus with the more distant regions. In spite of its local character, the construction of a modern free space built in the manner of the Portuguese metropolis, signaled the intention to destine free areas for a new function of urban use: that of recreation for the populace.

6    The industrial city

The first decades of the twentieth century point towards the consolidation of eclecticism as the language assumed by Brazilian urbanism. On the one hand, using Spanish and French references, boulevards are constructed surrounded by terraced buildings, and on the other hand, modern residential quarters appear, derived from the English garden-city. In the latter, the isolated building in the lot interspersed with well-cared for gardens, wide wooded and grassy sidewalks, with winding and romantic formats intermingled with small parks and small greened squares, changed into the dream of consumption for the elites and middle classes of the whole country.

From the 1930s onwards, and with the development of construction techniques, the process of high-rise building in the Brazilian cities initiated using the French configuration of square city blocks. This method of organizing space results in the restriction of private free spaces and these are substituted by internal wells of ventilation within the lots and by urban squares. With modernism the Brazilian landscape architecture passed through a moment of rupture and construction. Rupture because it definitively abandoned eclecticism as the form of urban spatial expression conserving only the practice of maintaining the native vegetation and the use of certain materials for floors such as the Portuguese mosaic. Construction, because the modern Brazilian landscaping architecture was characterized by a strong national identity from the 1940s. In parallel, the habits of use of the free spaces are diversified with the introduction of sporting activities such as soccer, tennis, rowing and swimming that demand the construction of special installations.

Figure 5: Brasília and the end of colonial urban pattern (QUAPA, 2007)

This equipment was constructed throughout the country demanding the installation of grass-covered playing grounds, bocha courts, sports grounds in public free spaces already implanted, such as urban gardens, plazas, squares and parks. Swimming pools appeared in the well-to-do residences, becoming popular in the 50s and 60s and becoming a status symbol for those that possessed one. At the same time playgrounds appeared, a North American creation that concentrates a set of prefabricated toys in specific parts of the free spaces, in general public and directed towards recreation. The high cost of the urban land and the reduction of the playing areas of backyards led to a situation of chronic lack of free spaces destined for children’s recreation. Little by little the free areas disappeared either because of the invasion of low income habitation, or for the necessity of public equipment construction, popularizing the use of this equipment even in schools. The Brazilian coast in turn succumbed to the density increase caused by the popularization of sea bathing that, in turn, generated accelerated occupation and high-rise building along the shoreline. As a reply to the new behaviors and habits of the population in the use of the beach (eating, walking, playing badminton, ball playing (soccer, “frescobol”, volleyball), flirting and even just enjoying the perennial vision of the sea, the beach-side pavements or beach boardwalks appeared, creating a linear and continual typology (often landscaped), replete with equipment and public furniture destined for mass recreation.

As a way of solving the problems resulting from an explosive growth of the urban centers, the principles of functionalist modernity were adopted using the managing plan as instrument of territorial organization. The adoption of the functioning of the city by means of the fragmentation of a set of activities: working, inhabiting, recreation and circulation in the middle of a lot of green created urban forms that made the articulation between the public and the private difficult in the city and the suburbs. As for the green space that should have intertwined the whole city, in the Brazilian case it was simply ignored, considering that the constitution of the Brazilian urban space was historically constructed privileging private property. With this, the distribution, even if rational, of a number of square meters per urban sector, was made impracticable in reality by innumerable reasons. Especially relevant amongst these was the high price of the urban land in the legalized city and the complete inexistence of available urban ground in the illegal city, densely constructed and occupied. This was the situation that generated a complete setback in the distribution of schools, hospitals, police stations, etc., on one side, and in the provision of leisure and recreation equipment for the poor population. On one side appear wide streets, wooded, illuminated with squares, parks and gardens and on the other, the standard of precarious urbanization with narrow, sinuous streets, without tarring, illumination or pavements, with sewers running open to the sky.

6     The city of services

Little by little, sauntering freely through the urban environment is substituted by the segregation of the activities of leisure practiced freely in definitive places. Although the necessity of attending the demand in an equitable form is justified, in Brazil, as well as not meeting the needs of the population resident in the illegal city, this situation also collaborated towards the impoverishment of the public life. With the social meeting confined to areas of directed leisure and recreation in fast-food malls, theme parks, cultural restaurants, centers, and clubs, the streets had been losing the public life little by little, being reduced to circulation spaces for pedestrians. The urban morphology that denies the street by compartmentalizing the urban space into units, in a certain form divides and segregates the population. The public authorities in turn, given the gigantism of the necessities of the cities of medium and large size, find themselves without resources and incapable of minimally managing the maintenance and quality of its public spaces. The industrial city gives place to the city of services, contextualized in an environment where the liberal economy reigns anchored in a technical-scientific-informational evolution. The city formed by fluxes and interdependence between units and processes maximized by communication, is no longer just another form but rather a process whose layout passes through constant and unexpected transformations. The cosmopolitan elites (Castells, 1999) construct and reconstruct its spaces from spatial hyper-segregation. In these spaces, they preserve their social cohesion by the development of a set of rules, behaviors and cultural codes by the intermediation of which they manage to understand and to communicate with each other. In practice, this situation materialized in the residential condominiums carefully segregated by localization and by walls, replete with language and symbolic content that are present in their life styles and distinguish them culturally from the local people. From the VIP spaces to the international gastronomic restaurants, this elite integrates itself into the scope of global culture.

Figure 6: São Paulo: end of public life in condominium areas (QUAPA 2007)

For the common people, representatives of the immense majority of Brazilians, the contemporary period reserves a set of re-locations, redistributions, and urban reorganizations of industrial production, moving the great plants and companies away from the cities, provoking degradation by functional obsolescence, of great urban areas. In the economy the companies pass through fusions, sub-contracting, the solutions are just in time or just in case. In the segregated and fragmented city, the new urban regulation of the twenty-first century proposes the rescue from the social injustices by means of some legal and urban planning instruments. Although as yet little time has passed since the constitution of the Statute of the City, it may be perceived that some actions have already started to generate some urban forms distinct from the periods previously cited not only in form but also in the management for a city a little more just.

What one perceives is that, although deeply criticized by many, this new legislation now allows the governments to use the new urban planning instruments to revert the logic of exclusion by means of the delimitation of areas to fulfill their social function toward the city and the property. The real estate regularization and the urbanization of areas occupied by the low income population receive special norms for use and occupation of the land and construction, beyond contemplating environmental norms. By this means, it is guaranteed amongst other things that the new land divisions should be targeted for urban infrastructure such as water, electric energy, durable pavement, and commerce, public equipment in the areas of education, health, transport, recreation and leisure.

7     Some further thoughts

The sustainability of our cities passes necessarily through a revision of positions, values; of ethics. The strategies of planning adopted in our country still move in the direction of segregation and the absolute exclusion of a great portion of our population, since the economic system supports itself at the cost of the natural and human resources (Afonso, 2006).

Figure 7: Curitiba: green structure associated with open public spaces (QUAPA 2008)

The direction pointed by the public actions leads one to believe that a long journey still needs to be traveled. In spite of the creation of normative instruments that intend to make possible sustainable and consequently more just cities, the State has to be placed at the service of social development and of the citizen, incorporating the economic dimension as an instrument for achieving this objective. If this does not happen, one runs the risk of creating a discourse empty of meaning, that treats sustainability as a currently fashionable concept, easily added to the contemporary way of life. It is the social structure and its processes that establish the way natural resources should be used and therefore define the actions and its negative effects on the natural dynamics (Afonso, 2006).

Figure 8: cities studied by the research program (QUAPA, 2009)

At this point, the instruments of popular participation may reveal themselves to be efficient in the near future, when the population in general understand the complex ways of constitution of the sphere of public life, of how its participation is materialized in the urban form and intervenes with its urban life. We understand sustainability as the path to tread, a re-signification of man and his role in the world that he himself constructed to live in, searching for a new meaning in his existence and also for the planet where he lives.

References

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ANNABLUME, 2006.

Albuquerque, Mariana Zerbone Alves de. Espaços livres públicos inseridos na paisagem urbana:memórias, rugosidades e metamorfoses. Recife: Mariana Zerbone Alves de Albuquerque, 2006. (Dissertação de Mestrado em geografia apresentada à CFCH Universidade Federal de Pernambuco).

Arendt, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991.

Carlos, Ana Fani Alessandri. A cidade. São Paulo: Contexto, 1994. (2ª edição)

Castells, M. A sociedade em rede: a era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo:  Paz e Terra, 1999. v.1.

Cidades Sustentáveis: subsídios à elaboração da Agenda 21 brasileira. Maria do Carmo de Lima Bezerra. Marlene Allan Fernandes (coordenação geral) – Brasília: Ministério do meio Ambiente; Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos recursos renováveis; Consórcio Parceria 21, IBAM-ISER-REDEH.

Corrêa, Roberto L. O espaço urbano. São Paulo: Ática, 1989.

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Magnoli, Miranda. Espaços livres e urbanização. Tese (Livre-docência) – FAUUSP, São Paulo, 1982.

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________. Por uma outra globalização.6.ed.. Rio de Janeiro: Record, 2001.

observação:

O presente artigo foi aceito e publicado por:

Fifth International Conference on Sustainable Architecture and Urban Development

Organized by

Department of Architecture and Urban Planning, Al-Fateh University, Libya

In collaboration with The Center for the Study of Architecture in the Arab Region (CSAAR) – 3 – 5 November, 2009

Tripoli, Libya

Deficiência Visual: um pouco sobre o assunto

Alunos do escritório-modelo e do curso de moda, bom dia!

Hoje vamos falar um pouco sobre a deficiência visual.

Para que possamos desenvolver nossas atvidades, precisaremos conhecer as características de nossos clientes e, em especial, suas necessidades.

E a deficiência, como pode ser entendida?

O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Doravante, utilizaremos o termo pessoa com deficiência utilizado no texto da Convenção Internacional sobre os Direitos das pessoas com Deficiência para fins de discussão e apresentação de projetos em sala de aula.

A CIF é uma classificação de saúde e dos estados relacionados à saúde.

RESUMINDO: DEFICIENTE NÃO É DOENTE

Muito além da definição do conceito “deficiente” como algo falho, imperfeito e incompleto, a CIF define componentes de saúde e de bem-estar à ela relacionados (tais como educação e trabalho). Seus domínios são da saúde e relacionados à saúde. Ao agrupar sistematicamente diferentes domínios de uma pessoa em determinada condição de saúde, ela identifica o que uma pessoa pode ou não pode fazer.

A funcionalidade dessa forma, engloba todas as funções do corpo, atividades e participação.

A incapacidade é um termo que incluiu deficiências, limiação da atividade ou restrição na participação.

O que considerar no ato de projeto:

Funções e estruturas do corpo e deficiências
Definições:
As funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo as funções psicológicas)
As estruturas do corpo são as partes anatômicas do corpo, tais como, órgãos, membros e seus componentes.
Deficiências são problemas nas funções ou na estrutura do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda.

Atividades e Participação/limitações da atividade e restrições na participação
Definições:
Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo.
Participação é o envolvimento numa situação da vida.
Limitações da atividade são dificuldades que um indivíduo pode encontrar na execução de atividades.
Restrições na participação são problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento em situações reais da vida.

O que é tecnologia assistiva? e para que serve ?

Tecnologia assistiva é o nome utilizado para identificar todo o conjunto de recursos e de serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover sua independência e inclusão colaborando na na viabilização de demandas comumente solicitads em ambientes domésticos e sociais.

O maior ou o menor grau de independência e autonomia dos indivíduos com deficiência em suas atividades, são determinados pelo contexto ambiental onde vivem.

Não se avaliam mais apenas as condições de saúde/doença do indivíduo; são também consideradas também o contexto do ambiente físico e social pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência e pela disponibilidade de serviços e de legislação.
(Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde)

Como o texto anterior se materializa em nossos projetos? Por onde começar? Como fazer em nosso trabalho?

Relações comunitárias:
.               utilização de serviços, tecnologias, equipamentos públicos e privados da/na comunidade;
.               participação em atividades e/ou ambientes coletivos;
.               participação em eventos e/ou na comunidade;
.               locomoção na comunidade;
.               relacionamento social com vizinhos, conhecidos e pessoas desconhecidas da comunidade.

Vida diária em seu lar e Atividades Ocupacionais

O que vê quem não vê?

Deficiência Visual
É  a perda ou redução da capacidade visual em ambos olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com uso de tratamento cirúrgico, clínico e/ou lentes.
O Decreto 3298 considera deficiente visual a pessoa que tem dificuldade  ou impossibilidade de enxergar a uma distância de 6 metros o que uma pessoa sem deficiência enxergaria a 60 metros, após a melhor correção, ou que tenha o campo visual (área de percepção visual) limitada a 20%, ou com ambas as situações;

CEGOS: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.

VISÃO PARCIAL: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.

VISÃO REDUZIDA: são considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.

Como não sou uma profissional vinculada à área da medicina ocular e afins, deixo aqui algumas imagens (e também hiperlinks para a wikipédia) e descrições (contraídas – não visíveis) das principais deficiências visuais para que vocês possam compreender um pouco melhor o nosso universo de trabalho.

Glaucoma




Catarata




Degenaração Macular



Retinite Diabética


Daltonismo


Resumindo:

– Nosso cliente é saudável (deficiência não é doença)
– Nosso cliente tem um comprometimento em uma das estruturas do seu corpo. Esta estrutura deveria estar adaptada ao exercício de uma determinada função. A função desta estrutura é sensorial e deveria propiciar juntamente com os outros sentidos (olfato, tato e paladar) nosso relacionamento com o ambiente externo ou o mundo que nos rodeia. Esta função consiste na habilidade de detectar a luz e de interpretá-la .
– nosso cliente quer participar do evento como você e eu;
– nosso cliente quer saber o que está acontecendo no evento;
– nosso cliente precisa de tecnologias assistivas. É para isso que fomos chamados. Temos que criar objetos que possam colaborar na compreensão do que está acontecendo e para os deficientes visuais possam interagir com as demais pessoas. Em suma: ele também quer participar, comentar e se divertir.

Links para consulta

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/05/deficiencia-definicao-e-classificacao/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/01/ser-diferente-e-normal/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/03/04/desenho-universal-tecnologias-assistivas/

http://www.once.es/otros/trato/trato.htm

http://www.brasilmedia.com/Baixa-visao.html

http://deficienciavisual.com.sapo.pt/index.htm

E, para quem quer ouvir uma audiodescrição…

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/11/16/de-olhos-bem-fechados-urban-gallery-e-tofer-chin-para-quem-nao-ve/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/07/09/teste-para-audiodescricao-capa-da-revista-xxx-edicao-de-aniversario/

Desenho Universal: projeto para um apartamento acessível (turma 2º/2010)

Estudo das questões projetuais da acessibilidade às edificações considerando os aspectos relacionados às pessoas portadoras de deficiência.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

Aprimorar o entendimento da influência das decisões arquitetônicas na acessibilidade e segurança de uso das edificações. Além disso, são aprofundados os conhecimentos sobre instrumentos que podem ser empregados para proporcionar melhores condições de acessibilidade resultando num projeto arquitetônico de qualidade e que atenda plenamente às necessidades do usuário final.
Melhorar a formação dos profissionais no conhecimento sobre acessibilidade, da situação do espaço construído em relação a sua adaptação às exigências da sociedade, das possibilidades de se obter maior desfrute dos espaços.
Planejamento e a adequação do ambiente urbano e dos sistemas de deslocamento sobre a cidade.
Estudar a Legislação relacionada ao tema.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Conceito de desenho universal; Sociedade inclusiva; Cidade Acessível; Espaços acessíveis que atendam aos princípios do desenho universal; Variedade de necessidades dos usuários, autonomia e independência; Ambiente construído: a adequação e adaptabilidade da estrutura, das instalações; Mobiliário e equipamentos adaptados; Garantias Legais de Acessibilidade.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

CAMBIAGHI, Silvia. Desenho Universal: métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. São Paulo: SENAC, 2008.
MATARAZZO, Claudia. Vai encarar? : a nação quase invisível de pessoas com deficiência. São Paulo: Melhoramentos, 2009.
NBR 9050. Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências a edificação, espaço, mobiliário e equipamento urbanos.
SÃO PAULO (Cidade) Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano. Comissão Permanente de Acessibilidade. Guia de acessibilidade em edificações. São Paulo: CPA, 2002.
Normas Técnicas.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

GOLDSMITH, Selwyn. Design for the disabled. New York: McGraww-Hill Book, 1990.
PREISER, Wolfgang F.E.; OSTROFF, Eliane (editors). Universal Design Handbook. New York: Mc. Graw Hill, 2001.

ENDEREÇOS ELETRÔNICOS

Biblioteca com diversos arquivos em PDF: Disponível em: http://www.desenhouniversal.com
acesso em 04.05.09 as 21:30:20
Guia de acessibilidade nas edificações. Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/imgs/cart_aces_edificacoes.pdf
acesso em 04.05.09 as 22:20:30
Guia de acessibilidade urbana: Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/imgs/cart_aces_urbana.pdf
acesso em 04.05.09 as 20:25:20
http://www.usp.br/fau/cursos/graduacao/arq_urbanismo/disciplinas/aut0217/Mobiliario_Urbano_Antropometria.pdf
acesso em 04.05.09 as 24:32:25
http://helenadegreas.com.br
Acesso em 07.01. 2010 as 11:11:28
http://derrubandobarreirasacessoparatodos.blogspot.com/
Acesso em 04.01.2010 as 11:12:35

O Exercício
Desenvolver o layout de um apartamento para um casal com dois filhos pequenos gêmeos. A mãe é jornalista e o pai advogado paraplégico. O casal gosta de receber amigos e familiares com bastante frequência. A cozinha deve ser acessível para o advogado que gosta de elaborar pratos e lanches para sua mulher e filhos.

Os Trabalhos

Danielle Almeida e Marina Corain

Projeto Completo


Leandro Oliveira
Projeto Completo
Camila Gomes e Bruna de Oliveira

planta: layout
planta baixa do closet (senhor)
planta baixa do BANHEIRO (senhor)
PERSPECTIVAS dos ambientes projetados

 

Amanda Harzheim e Anna Amélia Ribeiro

pesquisa e perspectivas
planta baixa layout

 

Marcelo Góes e Marcela Stripelkis

 

 

planta baixa
pesquisa e perspectivas

 

Danielle Souza e Karina Isikawa

Parques: Introdução ao projeto de paisagismo – manhã 2010/2)

Publicado em 16/11/2010 por auladepaisagismo

Ao longo deste semestre, vocês foram convidados a pesquisar o conceito por meio de uma “wiki”, realizar uma visita técnica a uma série de locais selecionados pelos professores e projetar um parque público no município de São Paulo.

O parque está localizado num terreno atualmente tombado pelo poder público e encontra-se inserido entre as Ruas Caio Prado, Augusta e Marques de Paranaguá. um dos lados tem como vizinho a PUCSP.

A Entrega:

Seminário de Avaliaçao: cada equipe deverá apresentar em powerpoint (com baixa resoluçao) plantas contendo: modelagem do terreno (cotas e alteraçao das curvas de nível quando necessário), vegetaçao (com legenda especificando formas, volumes e alturas); água; pisos (circulaçoes, estares, estacionamentos) e sua paginaçao; mobiiários e equipamentos urbanos e a foto da maquete volumetrica do projeto.

A apresentaçao deverá conter necessariamente um conjunto de cortes que demonstre claramente as alteraçoes sofridas pelo terreno para a implantaçao das circulaçoes e ambientes de estar. O número é indefinido; ilustraçoes (fotos) de croquis e perspectivas que demonstrem as intenções de projeto. Fotos do modelo/maquete deverão ser inseridas na apresentaçao e deverao conter uma frase ou legenda que aponte o motivo pelo qual a imagem foi inserida na apresentação.

Pasta contendo plantas; cortes, croquis do projeto realizado (dobradas); maquete pronta.

Mando também um pouco de inspiração para o desenvolvimento dos seus projetos!

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Danilo Akiyama e Luan Teixeira
Projeto Completo

Fernanda Supino e Dania Jean
Projeto Completo

Daniele Tavares e Vivian São Pedro
Projeto Completo

Wilson Trega e Nathália Pironato
Projeto Completo

Bruna Leite e Cecília Hayashi
Projeto Completo

Tiago Bagarollo e Cristiano T. Souza
Projeto Completo

Ieda Oliveira e Silva e Talita Carvalho Guerra
Projeto Completo

Renan Rinaldi e Vanessa Uehara
Projeto Completo


Ariane Silva e Mariana Touzarin
Projeto Completo

Renata Pereira e Vania Vendrúsculo
Projeto Completo

Alguns projetos ainda estão em fase de finalização

praças & parques: algumas regrinhas e diretrizes para um bom projeto

Queridíssimos alunos,

Desculpem a inserção da tabela, mas simplesmente coloquei nesta telinha o que coloquei no quadro de giz lá na sala de aula semana passada. Prometo que ao longo dos próximos dias, arrumo a tal “coisa”.

Praça Parque
Inserção urbana A praça é completamente dependente do lugar onde está inserida. Ao projetar, identifique as principais circulações de pedestres. Destes entroncamentos e cruzamentos de pessoas surge a possibilidade do encontro casual e espontâneo. Praça é gente se encontrando. Para os parques, o entroncamento ou cruzamento de pessoas não é essencial. Ele não depende da inserção urbana para existir. Pode-se ir à pé, de carro, de transporte público, de bicicleta… Pode estar inserido em áreas densamente construídas, ocupadas ou distante de tudo isso.
Acesso/ingresso Espaço que compõe e interage com outros espaços públicos  e com as edificações que estão em seu entorno. Significa que calçadas, ruas e prédios lindeiros devem associar-se ou ainda interagir visualmente e fisicamente de forma contínua contextualizando o lugar, dando-lhe forma e significado. Espaço cujo ingresso ou acesso é determinado por entradas controladas ou ainda determinadas por projeto. Trata-se de circulações (principais e secundárias) que definem os passeios de pedestres e as eventuais circulações de automóveis de passeio e ou serviços e que podem levar aos equipamentos, edificações principais, estares e aos estacionamentos como exemplo.
Atividades Lugar das práticas sociais públicas com finalidades diversas: comerciais, políticas, culturais, religiosas, sociais, recreativas entre outras. A construção de edifícios não é recomendada. Conjunto de atividades relacionadas às diversas categorias de um parque. Ele pode ser completamente vegetado e destinar-se a preservação de uma floresta natural, pode ser completamente artificial se for um parque de recreação ativa como Disney World, etc. O tema e o contexto em que se insere serão responsáveis pelo desenvolvimento do programa de atividades e por conseqüência  dos espaços que você irá projetar. Infraestrutura como banheiros, área administrativa, local para guarda de equipamentos, segurança, etc., são sempre obrigatórios. Na wiki que vocês criaram, é possível observar a imensa quantidade de tipos e categoria espaciais do parque. Mais em http://migre.me/2poP7 

 

Modelagem do terreno Depende. Como a praça de apresentar uma continuidade entre todos os espaços livres e logradouros que se encontram em seu entorno, o terreno deverá ser modelado para que esta conexão possa ser realizada de forma direta e respeitando-se as condições de acessibilidade da norma NBR9050. Não necessariamente. A não ser que seja um parque temático focado em recreação ativa, parque cultural, etc., os parques mantém em muitos casos as características naturais do terreno. Isso que dizer que movimentações de terra são desnecessárias em alguns casos  e podem em determinadas situações remover as camadas superficiais de solo prejudicando, a fauna, a flora e a também a qualidade das águas (nascentes, córregos, riachos) existentes no local.
Cercas Não pode: praça é lugar que deve integrar-se à cidade e permitir livre acesso. Depende: se for um local onde o acesso é restrito (Hoppi Hari, Wet and Wild, por exemplo) ou pode oferecer algum tipo de perigo para a fauna existente, os cercamentos podem ocorrer.
Percepção do entorno Nas praças o contexto é percebido ou seja, tudo que está ao redor do lugar é visto por seus usuários. Prédios, monumentos, avenidas, calçadas, etc. De dentro, vejo tudo o que está ao meu redor. Todas as atividades da praça dependem da circulação das pessoas e do que acontece na cidade. Não necessariamente. A proposta do parque nos remetem à situações descontextualizadas do urbano. Ou seja, os ambientes projetados independem das atividades que acontecem lá fora do parque. De dentro não vejo e não sei de nada do que ocorre ao meu redor. Os ambientes internos relacionam-se com o programa de atividades proposto para o parque. As circulações de pedestres e automóveis destinam-se a orientar as pessoas levando-as de um espaço para outro.
Edificações Não tem. As edificações por ventura existentes devem relacionar-se à praça como, por exemplo: O adro que fica em frente ás igrejas, ou ainda, o terreno (praça) que pode ficar em frente a um prédio público (casa de Câmara e Cadeia), etc. Podem existir e relacionar-se à administração, sanitários e às atividades vinculadas ao programa de atividades do parque.  Um parque zoológico deve conter desde edificações que simulem os ambientes naturais dos animais até lanchonetes, restaurantes, aquários e museus.
Vegetação Depende. Se necessária a colocação ela é o elemento secundário do projeto. Pisos devem predominar. Maior área impermeável. Depende. Se não for parque temático cultural ou de recreação ativa, a vegetação é o elemento estruturador dos ambientes projetados e deve predominar.  Maior área permeável.
Água Depende. Ela é elemento secundário que colabora na organização espacial dos ambientes propostos orientando não só visuais internas e externas como também colaborando na organização de circulações. É tratada como espelho d água. Nada de “nascentes”… Se não for um parque temático como o Wet ‘d Wild que usa a água como elemento estruturador dos espaços e de todas as atividades do local, as água pode ser tratada como elemento natural (mantêm-se as nascentes, exploram-se os riachos, córregos, eventuais lagos, etc.) sem maiores intervenções construtivas como pode ser construído “à maneira natural “ imitando-se elementos pictóricos franceses clássicos, ou italianos e românticos…
Mobiliários Depende. Predominam locais para assento e sombreamento esporadicamente. Vinculados ao programa de atividades do parque. Bancos, caramanchões, quadras, etc.
Iluminação Sempre. Por se tratar de área urbana, sugere-se especial atenção á iluminação noturna vinculada não só às calçadas e passeios laterais como também ao pedestre em toda a sua área interna. Depende. Reservas florestais, por exemplo, não necessitam de iluminação interna.  Por outro lado parques culturais como o La Villete (Paris) são projetos que demandam uma  Arquitetura de Luz, pois dela dependem para a sua existência e uso.

Dieberger & Cia: Arte e Jardim (1928)

Datado de 1928, o livro Dieberger & Companhia: arte e jardim foi digitalizado e inserido neste post. O material, apesar de sua linguagem datada, é precioso pois mostra a passagem dos ajardinamentos tidos como ornamentos ou ainda  coadjuvantes dos edifícios para um papel principal interagindo e integrando-se ao projeto de arquitetura  nas palavras de Dieberger.

O manual, como é chamado pelo autor, apresenta uma coletânia de projetos de jardins residenciais e parques, além de um capítulo dedicado à definição do conceito de jardim praticado por sua companhia.

Costumo utilizá-lo em aulas para mostrar o desenvolvimento das linguagens de projeto e também para falar um pouco mais sobre o uso da vegetação.

Como não me lembro de ter visto exemplares à venda, achei que talvez após 82 anos não haveria problema algum em disponibilizar o material. Não sei quem digitalizou, mas agradeço de qualquer forma pois posso utilizá-lo para ensinar.

Boa leitura a todos! divirtam-se tanto quanto eu.

 

De olhos bem fechados: Urban Gallery e Tofer Chin para quem não vê

Introduzindo o post…

Outro dia fui convidada a participar de um concurso cultural  intitulado Urban Gallery promovido pela Brookfield incorporações em parceria com a Rojo Magazine.

Confesso que refleti muito sobre o porquê do convite. Sou educadora. Não pertenço portanto à área de comunicações. Gosto da área mas falta-me, confesso, talento.

Quando a idéia praticamente havia sido deixada nos arquivos temporários do meu ser, surgiu uma idéia desafiadora que eu, como boa geminiana, não poderia deixar passar.

Explico. Semana passada participei de uma oficina de Audiodescrição em Produtos Culturais e de Comunicação realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Enquanto a Professora Viviane Panelli Sarraf do Museus Acessíveis e da RINAM explicava os conceitos, significados e Técnicas para audiodescrição para produtos culturais a uma platéia concentrada, entrei no site da Urban Gallery (desculpe profª Vivi… sou hiperativa …) e ouvi o audioguia da mostra do artista Tofer Chin.

Ao ouvir o material , decidi que seria importante criar também uma audiodescrição da obra exercitando os conceitos aprendidos na oficina. Afinal, temos no Brasil (IBGE 2000) cerca de 16.5 milhoes de cidadãos com deficiência visual. Como educadora, acredito que todos devem ter acesso ao projeto cultural Urban Gallery.

Mais do que “inserir cor”, a iniciativa é importante porque agrega elementos e conteúdos mais elaborados de arte urbana ao cotidiano de uma população composta por videntes e não videntes que graças ás discrepâncias sócioculturais de nosso país,  não conhece o prazer estético proporcionado pela obras que se encontram “enclausuradas” nos museus, centros culturais, entre outros.

A educação se dá pelo belo. Expô-lo publicamente nas ruas, nas paredes dos edifícios, colaborando na construção de nossas paisagens urbanas é uma bela ação e que merece destaque.

Vamos à audiodescrição…

Um pouco sobre a empresa no mundo e no Brasil (doc)

A Brookfield Asset Managentent é uma gestora global de ativos que está presente nos 5 continentes onde mantém investimentos de mais de 100 bilhões de dólares focados em energia renovável, infraestrutura e imobiliário sendo que neste último aplica um montante de 41 bilhões de dólares investidos nos principais mercados do mundo.

Seus negócios no Brasil estão presentes desde o início do século XX. Uma breve história de sua atuação pode ser encontrada no site da empresa.

Dentre seus objetivos socioambientais, a empresa visa à colaboração no desenvolvimento das cidades e das comunidades vulneráveis onde seus empreendimentos estão presentes.

Vale ressaltar que a empresa apóia a Orquestra Sinfônica Brasileira, O Instituto Tamboré e também a sua Reserva Biológica, Projeto Estrela Dalva (Instituto LECCA), Escola de Alfabetização de Adultos e Programa de Alfabetização, Capacitação e Cidadania. Outros projetos podem ser conhecidos em seu blog corporativo.

Sobre a obra

No caso brasileiro, sua atuação encontra-se focada nas áreas da cultura, educação e meio ambiente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília. No âmbito da cultura, a empresa está realizando intervenções artísticas em espaços públicos propondo-se a criar uma imensa galeria de arte urbana no país.

Uma espécie de Arte Efêmera. Os artistas deixam telas, tintas e suportes duradouros e passam a intervir por meios de gestos, idéias (flashmob) nas ruas ou em áreas públicas. O público é convidado a interagir e participar. Neste contexto, a empresa utilizou-se de espaços que lhe são familiares e estão disponíveis: os tapumes que cobrem suas obras. Todas as intervenções reunidas somam mais de 1 km de comprimento (o mesmo que andar 10 quadras) e 2.400 m² (ou ainda uns 40 apartamentos populares de 60m² cada um) de área.  Uma iniciativa bacana e que merece registro é a possibilidade de obter informações via Bluetooth sobre o artista e a obra via celular por meio de um áudio guia. Para os deficientes visuais, a disponibilização dos conteúdos é sempre bem-vinda.

A Curadoria da ROJO Magazine

A curadoria do projeto Urban Gallery na versão brasileira é da Rojo. Em 2006 a ROJO iniciou um trabalho de intervenção artística urbana com o objetivo de divulgar artistas emergentes internacionais nas ruas por meio da divulgação de seus trabalhos em outdoors, cartazes e paredes cegas. Os trabalhos são inéditos e distribuídos através de toda a cidade em especial em locais onde o tráfego é bem intenso. Seu lema ´”Arte nas ruas JÁ!”.

E quem é Tofer Chin?

Tofer Chin é um artista plástico nascido nos Estados Unidos no final dos anos 70 e é bacharel pela Otis College of Arts and Design. Focado na percepção sensorial e no impacto, diversão e fascinação que seu trabalho pode causar, Chin explora todas as possibilidades de uma superfície plana bidimensional como suporte para a criação de uma obra tridimensional que gera a impressão de profundidade e ilusão de ótica. Espécie de Enfant Terrible em suas entrevistas, ele pode ser considerado um autor de vanguarda nas artes urbanas à céu aberto ao explorar até o limite as potencialidades do Op Art. Sua arte explora a falibilidade do olho humano por meio do uso de grafismo que criam ilusões óticas.

Em suma: estamos realmente vendo o que estamos vendo?

Qual a sua Técnica?

A sua obra defende “menos expressão e mais visualização”. Seus traços abstratos de extremo rigor técnico simbolizam um mundo mutável e instável. Quando observados dão a impressão de movimento, clarões ou vibração muitas vezes mudando de tamanho ou deformando-se. Sua arte usa relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor sua realidade não representacional. Sua geometria intensa, sistemática pode até não gerar fortes emoções, mas suas possibilidades gráficas e abstracionistas parecem ser ilimitadas.

Audiodescrição

Podcast: localização da obra de Tofer Chin

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 1

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 2

Podcast: sons da Avenida Brigadeiro Faria Lima durante a audiodescrição

Gravação realizada a partir de um aparelho celular NOKIA N97 e descarregada no http://gafanhoto.com.br

Resultado final do concurso:
http://www.br.brookfield.com/blog/index.php/urban-gallery/concurso-blogueiro-urban-gallery/

Acessibilidade é tema da Suíte do Bebê no Casa Cor Campinas

Este release foi enviado por duas colegas arquitetas que participaram da Casa Cor Campinas. Considerei o material muito bom para vocês alunos, pois oferece informações úteis para a elaboração de um quarto de bebê acessível.

” Como projetar um quarto para receber um bebê e sua mãe deficiente visual com conforto, praticidade e de maneira inteligente? Com esta proposta, as jovens arquitetas Mel Godoy e Mariana Reginato integram o Casa Cor Campinas 2010 e apresentam um espaço onde a acessibilidade é peça chave para que as atividades cotidianas sejam executadas com total autonomia e segurança.

Denominado Suíte do Bebê Ver e Sentir e com 17m², o ambiente é planejado e decorado para uma mãe deficiente visual. Com a ideia de projetar um espaço amplo, no qual a mãe consegue cuidar de seu bebê com liberdade, Mel Godoy, que tem na sua formação a especialização em acessibilidade, pensou nos mínimos detalhes. O quarto é integrado ao banheiro e os cuidados para que a mãe distingua uma área de outra começam pelo piso, que não tem desníveis, mas texturas distintas. “Detalhe também nas paredes, que são revestidas com papéis texturizados, oferecendo a possibilidade de percepção através do tato”, conta Mel.

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Além de focar na acessibilidade, onde a disposição dos móveis e o espaço de circulação merecem cuidado, as arquitetas trabalharam de forma a explorar os outros sentidos da deficiente visual, como o tato – compondo o ambiente com materiais de texturas e aplicações diferentes –,  audição e olfato, com sons e aromas.

Os móveis são arredondados, o que evita acidentes com cantos, e a cômoda conta com puxadores em braile, para a mãe saber quais são as peças de roupas que estão nas gavetas. O mesmo sistema de leitura com o tato estão nos utensílios do bebê, como potes que contém algodão e cotonete.

O ambiente é totalmente automatizado, contando com um sistema semelhante à babá eletrônica e um outro que permite, com apenas um toque, controlar o som, a iluminação e a abertura das persianas, de acordo com a intensidade de luz desejada. A decoração segue um estilo provençal com o moderno e as cores predominantes são offwhite, palha, branca, areia e marrom.

Para as jovens arquitetas o maior desafio neste projeto foi proporcionar autonomia para a mãe deficiente visual. “Trabalhamos cuidadosamente para que a acessibilidade e autonomia da mãe nesta suíte fossem garantidos. A mãe pode controlar o ambiente mesmo não enxergando o espaço”.


Ficha Técnica:

Arquitetas: Mel Godoy e Mariana Reginato

Local/data da exposição: Casa Cor Campinas, que acontece de 03 de Setembro a 12 de Outubro de 2010, no Royal Palm Plaza Resort Campinas

Alunos: se precisarem de informações sobre equipamentos e mobiliários, cliquem aqui