Pedestres e ciclistas nas calçadas: compartilhamento ou disputa de espaço?

Pesquisas mostram crescimento do número de pessoas que se locomovem a pé ou de bicicleta, mas a prioridade nas intervenções urbanas ainda é do automóvel

  • Por Helena Degreas
    26/01/2021 11h00 – Atualizado em 26/01/2021 15h16

Helena Degreas/Jovem PanPedestres andam sobre faixa destinada a ciclistas em uma calçada no centro de São Paulo

Recentemente, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo implantou uma nova ciclovia com 281 metros de extensão ao longo do viaduto Nove de Julho, no lado par, viabilizando o acesso das pistas existentes nas ruas Santo Antônio, Consolação e Quirino de Andrade à entrada da estação Anhangabaú (linha 3-Vermelha do Metrô). Embora bem-vinda e necessária, a implantação da ciclovia sobre as calçadas —  uma ampliação da mobilidade da população na cidade —  ainda demonstra que a prioridade das intervenções realizadas pela secretaria ainda é do automóvel. O compartilhamento está previsto em leis, normas e manuais, mas, ainda assim, fica a questão: por que colocar a ciclovia sobre a calçada e não repensar o dimensionamento das faixas dedicadas aos automóveis? Será que a prioridade ainda é do carro? 

A pesquisa Origem Destino do Metrô de São Paulo mostra que são realizadas cerca de 42 milhões de viagens diárias na região metropolitana de São Paulo. Com o objetivo de colaborar com a leitura e visualização da base dados da pesquisa, realizada em 2017, a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo e o Instituto Multiplicidade Mobilidade Urbana desenvolveram uma tabela. Das viagens citadas, 31,8% foram realizadas a pé e 0,9% de bicicleta. Ou seja, a pesquisa com base domiciliar mostra que para ir ao trabalho, à escola e às compras (os três principais motivos), um terço dos deslocamentos é feito por pedestres e ciclistas. Se hoje fosse realizado um novo levantamento sobre os modos de locomoção na cidade, os resultados certamente apresentariam um cenário diferente — os dados sobre deslocamentos a pé e por bicicleta seriam mais robustos. PUBLICIDADE

As consequências resultantes da pandemia levaram não apenas ao afastamento social da população como protocolo sanitário, mas também elevou o número de desempregados graças ao pífio desenvolvimento econômico nacional. A bicicleta apresentou-se como alternativa para redução dos gastos de transporte e geração de renda complementar, com o crescimento de entregas de mercadorias por bicicletas em todo o país. A Associação Brasileira do Setor de Bicicletas apontou, em pesquisa realizada entre 15 de junho e 15 de julho do ano passado, um crescimento de 118% em comparação ao mesmo período de 2019. Por sua vez, a pesquisa Viver em São Paulo: Especial Pandemia, realizada pela Rede Nossa São Paulo, mostra que, como consequência da pandemia, 38% da população entrevistada continuará a se deslocar mais a pé e que e 20% pretendem usar mais a bicicleta no dia a dia depois que o isolamento social não for mais necessário. Resumindo, não haverá calçadas suficientes para tantos pedestres e ciclistas.

Ampliar os modos de locomoção a pé e de bicicleta nas cidades é parte das discussões que compõem a agenda urbana internacional que trata de políticas para a construção de cidades e comunidades sustentáveis e de populações saudáveis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados das duas pesquisas mostram uma tendência que não tem mais volta: o modo ativo, ou seja, aquele realizado por locomoção a pé e de bicicleta, veio para ficar em nossas cidades. As pesquisas já mostram que pedestres e ciclistas realizam mais viagens diárias do que automóveis particulares e que a tendência é de incremento do modo ativo nos espaços públicos. Nossas calçadas, quando existem, são estreitas para o fluxo de pessoas e têm manutenção ruim, como mostra o relatório da campanha Calçadas do Brasil do Portal de Mobilidade Urbana Sustentável Mobilize. 

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Por esta ótica, é possível afirmar que todos os prefeitos da região metropolitana de São Paulo deveriam investir na construção, reformas e manutenção de calçadas para melhor acolher seus cidadãos. A afirmação também é válida para a construção, remodelação e reforma do sistema cicloviário. Se a prioridade é melhorar a mobilidade da população, a eliminação ou a redução das faixas de rolamento destinadas aos automóveis deveria ser a prioridade. O compartilhamento dos espaços ocorreria apenas em situações extremas, em que alternativas viárias são inexistentes. Desconheço o método e os instrumentos aplicados para o caso da implantação da ciclovia sobre a calçada do viaduto Nove de Julho. Um olhar mais apurado junto ao local aponta que o volume de pessoas circulando ao longo da semana é significativo por se tratar de uma área repleta de instituições públicas. A convivência harmoniosa entre pedestres e ciclistas pode não ocorrer da forma como se espera. É possível que o compartilhamento transforme-se em disputa de espaço público. 

Já as faixas de rolamento destinadas aos automóveis permanecem intactas, evidenciando aos pedestres e ciclistas sua autoridade e preferência sobre o espaço urbano. As políticas públicas e suas ações ainda mostram que se algum compartilhamento tiver que ocorrer na cidade, será entre ciclistas e pedestres nos espaços públicos que restaram do sistema viário. Nos automóveis, ninguém mexe. Ao recém empossado secretário municipal de Transportes, desejo um excelente trabalho. E que, em suas ações, tanto pedestres quanto ciclistas recebam não apenas a sua atenção especial, mas também a destinação de verbas adequadas à realização de mais calçadas e pistas cicláveis, tornando sua locomoção segura e eficaz. Numa cidade em que o poder público prioriza o coletivo na sua forma de planejar, os seus espaços são compartilhados por todos os cidadãos. É uma cidade mais justa.

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Coluna originalmente publicada aqui

Entenda como a mobilidade afeta as cidades e a qualidade de vida

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A cidade do automóvel lentamente vem se humanizando, colocando o ser humano em primeiro lugar, transformando-se em cidades para pessoas

  • Por Helena Degreas
  • 08/12/2020 16h52 – Atualizado em 08/12/2020 16h54

Helena Degreas/Jovem PanAbertura da avenida Paulista para o público aos domingos proporcionou mais lazer e saúde à população

Ao longo do século 20, as políticas de planejamento rodoviaristas adotadas em todo o mundo foram responsáveis pela adaptação física das cidades ao fluxo crescente de veículos motorizados. Sejam caminhões, automóveis particulares, transportes coletivos como ônibus e vans, entre outros, o fato é que a adaptação dos espaços públicos para atender à circulação do transporte motorizado foi, aos poucos, destruindo a qualidade dos ambientes públicos destinados às pessoas. Quem já não passou pela situação constrangedora de sair correndo como se estivesse participando de uma maratona para atravessar um semáforo de tempo curto para o pedestre e longo para carros? Ou ainda, fazer compras em ruas movimentadas e perceber que não há calçada suficiente para acomodar todos os cidadãos que, como você, estão andando no meio da rua? Nestas situações, costumo afirmar que o verdadeiro cidadão é… o automóvel. Para ele, são destinados espaços públicos de qualidade para descanso (estacionamento em vagas reservadas ao longo das calçadas, pagas ou não) e iluminação noturna privilegiada, enquanto o pedestre fica, geralmente, às escuras em praças públicas por exemplo.https://53b1b23af142c0c538a0845591c7743b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Nos últimos anos, o conceito de mobilidade deixou de ser sinônimo de transporte motorizado. A ele foram incorporados os modos ativos, ou ainda, aqueles que permitem a mobilidade a pé e de bicicleta. Essa é uma excelente notícia para o cidadão. A cidade se preparará para receber… pessoas. Quem diria? Planos e ações alinhadas com as discussões da Agenda Urbana Internacional para a sustentabilidade de nossas cidades geraram diretrizes e metas para o planejamento das cidades, levando governos signatários da Agenda 2030 – incluindo o Brasil – a atuar neste sentido. Ao criar o Estatuto das Cidades (2001), o Ministério das Cidades (2003) promulgou a Lei 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), obrigando mais de 3.000 municípios com mais de 20 mil habitantes a desenvolver projetos sobre tema. Mais recentemente, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 14.000/20, que prorroga os prazos para 2022 e 2023 para que as prefeituras elaborem seus planos. Mais de 90% das prefeituras não cumpriram o prazo anterior, situação que impediu os repasses de verbas públicas para obras de mobilidade urbana em seus municípios.PUBLICIDADE

Para além do transporte, os novos planos de mobilidade que estão sendo implantados em cidades como São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte já vem mostrando resultados positivos na vida das pessoas. O estímulo ao uso dos espaços públicos por meio da restrição e controle do acesso de automóveis em vias públicas, de maneira permanente ou temporária, é um dos resultados. Um exemplo emblemático é a abertura da avenida Paulista (Paulista Aberta) aos domingos e feriados para caminhadas e ciclismo. A implantação de áreas de descanso e parada (parklets, vagas verdes) destinada aos pedestres sobre vagas de estacionamento, pagas ou não, ao lado das calçadas é outro exemplo bem sucedido que resultou dos planos de mobilidade urbana. O aumento da malha cicloviária (ciclovias, ciclorrotas, ciclofaixas e vias compartilhadas) e a ampliação na largura das calçadas (sobre vagas de estacionamento, utilizando instrumentos de intervenção do urbanismo tático) incentivam a prática de atividades físicas por meio do ciclismo e das caminhadas, reduzindo o sedentarismo e melhorando a saúde da população.

Esses exemplos citados apontam para a contribuição dos planos de mobilidade urbana para a revitalização e valorização dos espaços públicos, favorecendo não apenas a economia e a segurança local, mas também a qualidade de vida do cidadão. A cidade do automóvel lentamente vem se humanizando, colocando o ser humano em primeiro lugar, transformando-se em cidades para pessoas.

Publicação original aqui

Bairros calmos, seguros e confortáveis: o direito de envelhecer dignamente

Este post traz um podcast que trata do direito de envelhecer no lugar que você escolheu para morar. Na rua, no bairro e na cidade que você escolheu. De maneira, confortável, segura e digna.

E o que vem a ser isso?
É o lugar em que tudo que você precisa no dia a dia pode ser realizado a pé em até 15, 20 minutinhos da sua casa.
O podcast é um complemento ao post publicado no Portal Acesse.
No artigo chamado –  ‘Ville du 1/4h’: bairros resilientes às diferentes etapas da vida – falei sobre um conceito contemporâneo conhecido como Cidade de 15 minutos que é tema de discussão da Agenda Urbana Internacional e está vinculado aos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU – Organização das Nações Unidas.
No podcast eu poderia falar também da Cidade Amiga do Idoso mas, quem me conhece, sabe que apesar dos avanços promovidos pela proposta, sou a favor da acessibilidade que segue os princípios de Desenho Universal.
Em outras palavras ou atende a todas as pessoas independente da idade, gênero, etnia, cultura, perfil econômico ou precisa ser repensada para fazê-lo. Fragmentar um bairro em setores que atendem grupos específicos é uma inclusão ruim. Assim, o conceito de cidade a pé, cidade para pessoas, cidade para todos ou cidades e bairros para todas as fases da vida são propostas que vem substituir a cidade pensada para o automóvel. O urbanismo modernista proposto pela Carta de Atenas preconizou a cidade funcional propondo a separação das áreas residencias, de lazer e de trabalho por meio da setorização espacial e do planejamento do uso do solo. A priorização da circulação do automóvel particular, fragmentou a cidade por meio de inúmeras vias expressas. Este documento veio como resposta do ponto de vista dos arquitetos para atender as necessidades de problemas urbanísticos causados pelo rápido crescimento da população nas cidades à época.

Devolver a cidade para as pessoas por meio do redesenho local deve ser prioridade para governantes. O bairro onde moro, aqui em alto de Pinheiros na cidade de São Paulo tem uma população em que a faixa etária predominante é de 50 e poucos anos. Em 2030, cerca de 34% do total dos moradores locais terá por volta de 60 e poucos anos. Ou iniciamos uma revisão do design dos bairros agora, ou em 10 anos estaremos com baixa qualidade de vida.

Armários na cozinha: por quê tão altos?

Publicado originalmente em:
Portal Acesse

Descrição da imagem #pracegover: Uma mão está tentando alcançar um armário, em cima da geladeira. Fim da descrição.

Nunca passei tanto tempo dentro de casa. Imagino que muitos leitores também estejam nessa mesma situação.

A rotina diária de uma sociedade em situação de isolamento físico e social certamente mudou, e muito, as nossas vidas. Não existe mais o conceito de ‘normal’; o que temos de agora em diante é o ‘normal pós-coronavírus’.

A falta do abraço da mãe, dos filhos, dos netos e dos amigos é parcialmente suprida, mas não substituída, pelos encontros virtuais. Aprenderemos a conviver de outra forma por enquanto.

Mas e na casa? Houve alguma alteração?

No meu caso sim. Mudou a maneira como estou vivendo no meu lar. E essa percepção aconteceu no final de semana quando, ao trocar a geladeira, percebi a dificuldade que tive para alcançar a caixinha que estava sobre o armário. Ela foi projetada para estar lá. Não mudei o modelo, o tamanho, o tipo e nem a marca. Mas… estava horrível. Não entendi naquele momento.

A cozinha foi projetada por profissionais para ter tudo o que é necessário e ser funcional, ou seja:

  • Uma despensa bacana com espaço para armazenar alimentos e a geladeira;
  • Área para armazenamento de eletrodomésticos e demais utensílios;
  • Pia e área de preparação com bancada de trabalho;
  • Área para cozinhar, ou seja, local para colocar fogão, forno e microondas.

Então o que mudou?

Mudou nossa rotina e com ela o uso da casa. Com a quarentena, morar e trabalhar no mesmo lugar já é a realidade de várias pessoas que, como eu, prestam serviços – sou arquiteta e professora. E a casa deverá adaptar-se aos novos usos e rotinas atuais.

Minha tão sonhada ‘cozinha superplanejada atende a todos os manuais de boas práticas de projeto. Só não previu o óbvio: ela foi concebida para atender a um conjunto de atividades de um casal mais jovem, que trabalha fora o dia todo, pede delivery de comida por aplicativos e só volta à noite. Ou seja: está disfuncional para alguém que encontra-se em home office, cozinha em casa porque é mais saudável e econômico e, por causa da pandemia, pouco sai.

Apesar de me considerar nova, o corpo começou a provar algumas limitações antes impensáveis para mim. Eu estou me sentindo ótima, mas minha cozinha envelheceu, coitada…

A foto acima mostra algo que me incomodou. Hoje entendo que ficou disfuncional. Atualmente o acesso às áreas de armazenamento é realizado de forma mais constante. Subir e descer utilizando banquinhos e escadas móveis para ter acesso aos utensílios e aos alimentos além de cansativo é algo que pode eventualmente causar um acidente. E pouco importa a idade. Não funciona mesmo: quando tem portas, colocam-se objetos e coisas que a gente esquece que tem e que muitas vezes nem valor afetivo tem mais. Só estão lá. Guardadas. Armazenadas.

Quando as áreas de armazenamento não têm portas, as partes mais altas podem ser utilizadas para colocar objetos bonitos, coloridos que enfeitam. Lindo numa capa de revista. Na vida real de uma mulher em quarentena, eu diria que servem para acumular pós e gordura… rabugice, mau humor? Pode até ser…

Projetar a partir das atividades da casa em uso, pode ser o caminho para criação de ambientes confortáveis e funcionais. Aos profissionais da área de projeto e de vendas de cozinhas planejadas duas orientações: fale com seus clientes sobre a importância da altura das áreas de armazenamento e sua relação com a manutenção do conforto e da funcionalidade com o decorrer dos anos destacando a questão da segurança. Outro dia ouvi de um colega que o tema envelhecimento ‘não cai bem’ quando tratamos de projetos de arquitetura. Discordo: o que não cai bem é o desconforto e acidentes que possam ocorrer.

Assim, para alguém que, como eu, pretende continuar morando por muitos anos e envelhecer na mesma casa, ficam aqui algumas dicas para áreas de armazenamento dos ambientes de cozinha:

– No lugar dos armários com portas, pense em gavetões com corrediças. Se puder, coloque o sistema ‘soft-touch’ que abre e fecha com um simples toque do corpo. As corrediças possibilitam a abertura total das gavetas com deslizamento suave, preciso e resistente. São confortáveis porque facilitam o acesso e manuseio de objetos. Providenciar também os mesmos gavetões com organizadores para aqueles cantos difíceis que ocorrem em cozinhas em ‘L’ ou ‘U’. Os preços hoje são bem acessíveis e a adaptação é relativamente fácil. Se optar por portas, saiba que para retirar algo do fundo do armário, você precisará ajoelhar-se, curvar o corpo e praticamente entrar nele. Não recomendo.

– Armários sobre a pia e o balcão: lembre-se de que dependendo da altura, a escada móvel é necessária para retirar utensílios ou alimentos que você guardou. Mesmo que o uso seja eventual, é importante que tudo esteja à mão ou ainda, em altura confortável e de fácil manuseio. Para o meu caso, está prevista a retirada dos armários altos e a colocação de uma estante de apoio em altura de fácil acesso sob o balcão para colocar poucos adornos e plantinhas pendentes. Qualquer loja de materiais de construção ou de decoração tem peças prontas para suporte. Algumas delas oferecem a customização a partir das necessidades do cliente. São peças baratas, de boa qualidade e com retorno funcional garantido.

Estas orientações para a compra de armários de cozinha para fins de armazenamentos de utensílios ou para despensa podem ser testadas em lojas de venda de móveis por qualquer pessoa e não dependem de conhecimento técnico. Boa sorte fique de olho na segurança e no conforto!

Helena Degreas é arquiteta e atua como professora da Universidade de São Caetano do Sul – USCS. É pesquisadora em Acessibilidade do Ambiente Construído junto ao Grupo de Pesquisas Paisagem & Ambiente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

 

 

 

Por uma vida independente

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um casal de idosos está em uma cozinha preparando alguns alimentos. Fim da descrição.
Arquitetura pode garantir qualidade de vida e independência na melhor idade (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Todos nós queremos ter uma vida independente ao longo de toda nossa vida. Infelizmente, mais cedo ou mais tarde, o corpo começa a perder as habilidades que tanto demoramos a conquistar e começa a ‘reclamar’ com uma dorzinha aqui e uma fisgadinha ali… uma hora porque a tomada parece que ficou mais baixa do que o usual, para levantar do sofá macio o encosto para os braços é necessário ou ainda a parte superior do armário parece inalcançável…

 

Vida independente na melhor idade

Mais cedo ou mais tarde, a casa em que moramos precisará de algumas alterações para poder nos servir de forma mais eficiente com o passar dos anos. Projetar a independência no lar faz-se necessário, quando não, inevitável…

Ao pesquisar aqui por nossas terras a existência de profissionais e escritórios de arquitetura que atendam às especificidades funcionais e necessidades de pessoas mais maduras (conceito sugerido pelo meu colega arquiteto Cidomar), deparei-me com a baixa oferta frente à demanda atual e também futura. A pesquisa também apontou que em alguns casos, o passar dos anos é associado ao envelhecimento e à doença, quase como se fossem sinônimos. Trata-se de uma postura absolutamente equivocada e reducionista para abordar o assunto.

A independência e a capacidade de agir livremente são fundamentais para a qualidade de vida de qualquer ser humano. É possível que doenças crônicas relacionadas à idade possam ocorrer não necessariamente interferindo sobre a mobilidade e habilidades funcionais do corpo ou do intelecto.

Os princípios de desenho universal podem e devem ser utilizado por qualquer profissional de arquitetura e design para a qualidade de vida das pessoas, mas, sozinhos não são capazes de servir de apoio para a sonhada independência.

Ainda que na mesma habitação, o ‘habitar’ toma diferente formas com os anos. Mudam os pensamentos, o estado do corpo, as qualidades e atributos que moldam e definem aquela pessoa e com ele o seu jeito de ser e ver o mundo. Os anos trazem novidades e com elas formas de habitar. Embora o investimento e os tipos de moradia variem muito de uma para outra cultura, países como Inglaterra, Canadá e Estados Unidos apresentam tanto empresas privadas quanto políticas públicas de atendimento à demanda de assistência por tipos de serviço necessários para uma vida independente. São planos e programas que oferecem serviços de assistência diversificada, incluindo opções de habitação, que se adequam aos estilos de vida, saúde e condições financeiras.

Aging in place ou ainda permanecer morando em sua própria casa ao longo de toda a sua vida é uma opção bastante atraente e desejável. A grande vantagem dessa situação é manter-se em local familiar, perto de seus vizinhos e num bairro cujos serviços, comércios são conhecidos facilitando uma vida social autônoma. Nesses casos, os planos oferecidos pelas empresas asseguram serviços de cuidado e manutenção da casa com o objetivo de tornar a vida mais fácil e segura ao morador. Os serviços incluem desde reformas e adaptações de toda a casa até serviços de limpeza e alimentação.

Uma segunda forma de morar é a coletiva e colaborativa. Em vilas, comunidades, residenciais horizontais ou verticais, são condomínios especializados que oferecem programas e serviços especializados como transporte, supermercado, ajuda em tarefas domésticas, cuidados com a saúde e uma rede de atividades sociais (recreação, teatro, viagens, visitas e uma infinidades de atividades culturais) com outros membros do lugar. Nesses casos, diferentemente da casa e mesmo com vida independente, são residenciais projetados exclusivamente para adultos mais velhos e que não desejam cuidar de uma casa ou morar sozinhos. Levam o nome de retirement communitiesretirement homessenior housing ou ainda senior apartments.

Outra forma de morar é conhecida por assisted living residence. Trata-se de uma residência coletiva para adultos que optam, por diversos motivos, por não viver de forma independente. Nos estados Unidos é tratada como uma indústria de vida assistida ou ainda de prestação de serviços altamente especializados que viu seu negócio evoluir do modelo de cuidados pessoais em saúde (com foco em enfermagem como exemplo) para um modelo com foco na sociabilidade e também com cuidados pessoais e saúde.

Mais do que atender aos princípios do desenho universal, esses profissionais deverão estar preparados para a prática do Transgenerational Design. Cunhado em 1986 por James J. Pirk, o conceito trata da prática de conceber e tornar produtos e ambientes compatíveis com os impedimentos físicos e sensoriais associados ao processo de envelhecimento humano e que podem vir a limitar as principais atividades da vida diária quer no lar, quer no ambiente de trabalho que em ambiente social. Coincidência ou não, o conceito surgiu em meados dos anos 1980 paralelamente à concepção do desenho universal como subproduto da Lei denominada Age Discrimination Act of 1975 (ADA) que proíbe uma espécie de “gerontophobia” ou ainda a discriminação com base na idade em ‘programas e atividades que recebem assistência financeira federal’ ou ainda excluindo, negando ou fornecendo serviços diferentes ou de qualidade inferior tendo como base a idade. Empresas como a Microsoft e Intel vêm desenvolvendo produtos ‘amistosos’ para o uso de pessoas com idade mais avançada colaborando na diminuição da tendência de associação do processo de envelhecimento ao de deficiência, declínio ou incapacidade frente às situações de vida.

Embora as oportunidades de investimento e negócios sejam promissores para as próximas décadas, a formação dos profissionais nas áreas de constrição civil, negócios imobiliários, planos de saúde e assistência doméstica para pessoas maduras, precisarão ampliar o leque de produtos e serviços para atender a uma população exigente e com estilos de vida bem mais abrangentes e interessantes do que aqueles tradicionalmente oferecidos como ‘casas de repouso’, ‘cuidadores’, enfermeiros, homecare, flats para terceira idade entre outras variações.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

Kombis, trailers, studios: a nova moda dos imóveis reduzidos

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma planta baixa de um imóvel com tamanho reduzido. Na imagem, temos algumas especificações para um morador cadeirante. Fim da descrição.
A arquiteta Helena Degreas destaca a nova moda dos imóveis com tamanho reduzido (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Você já pensou como deve ser morar numa habitação de 10 m²? E se, além do tamanho dos imóveis reduzidos, você dependesse de uma cadeira de rodas para se locomover?

Nos últimos meses, um debate acalorado sobre o surgimento de apartamentos studio vêm tomando conta das redes sociais. Com tamanhos que chegam a 10m², essas unidades já colocaram a cidade de São Paulo como a campeã nacional na oferta de mini-moradias . Possível desde a promulgação do Novo Código de Obras do município de São Paulo (COE/2017) que revisou as dimensões mínimas dos ambientes residenciais, qualquer um pode ser proprietário de um miniapartamento com excelente localização urbana. Maior do que uma kombi (7.30 m²) e menor do que um trailer (10,26 m²), os apartamentos Studio são a novidade que cabe no bolso, mas não comportam as funcionalidades de um lar – minha opinião.

A revisão das dimensões mínimas dos ambientes residenciais constantes do COE 2017 e da NBR 15575 associadas ao financiamento de imóveis novos no valor de até 240 mil reais pelo programa Minha Casa Minha Vida da Caixa Econômica Federal, vem facilitando a aquisição de habitações para aqueles que têm renda de até 3 mil e 600 reais.

Dados do IBGE (2010) mostram que 74,9% da população que declarou ter alguma dificuldade para caminhar ou andar (não consegue de modo algum, grande dificuldade, alguma dificuldade) recebe entre 0.5% e 3 salários mínimos estando aptos, portanto, a pleitear o financiamento. Ou seja: cerca de 7% dos brasileiros ou ainda, 13.2 milhões de brasileiros. Deste grupo, um pouco mais de 4 milhões declararam possuir dificuldade de locomoção severa. Desconsiderar essas estatísticas e, com elas as adaptações necessárias para atender a esse público ainda no ato do projeto, na construção ou no planejamento do negócio pelas construtoras é incompreensível em época de crise econômica e com financiamento disponível.

O que ocorre com a unidade propriamente dita: dá para morar em 10m² e, ainda assim, atender a NBR9050 com qualidade? De acordo com o Arquiteto Marcelo Sbarra, não. E eu complementaria: não dá para ninguém morar em 10 m² com um mínimo de dignidade.

As unidades de moradia mínima já existiam no pós-guerra. Com o objetivo de atender a uma camada da população de baixo poder aquisitivo, o movimento modernista previa que a noção de mínimo não se resumia à restrição da área útil e sim à versatilidade de uso do espaço doméstico com áreas claramente definidas que viabilizavam as dinâmicas familiares. Os projetos da época apresentavam uma planta livre integrando ambientes sociais que, pela distribuição de móveis, criaram espaços de usos diversos; banheiros, cozinhas e dormitórios, independentemente do número de moradores, eram compactados e individualizados em cômodos separados.

Ainda, de acordo com Sbarra (2017) “… Embora o Código de Obras estabeleça as dimensões mínimas para quartos, salas, banheiros e cozinhas em NENHUM lugar em NENHUMA lei ou Norma há a definição do que seja um apartamento”. Pois é. Aprova-se a unidade como banheiro + sala. Cozinha transforma-se em área de preparo de alimentos. Um cooktop elétrico de duas bocas resolve o problema. Lavar roupas? Só se for do lado de fora da unidade. Na moda mesmo, é agendar e, em alguns casos, pagar para utilizar uma máquina lava e seca da lavanderia coletiva do condomínio. Soube por um conhecido que o filho dele havia adquirido essa unidade. Por considerar desnecessário lavar as meias e a camiseta numa ciclo completo lava e seca decidiu fazer isso no chuveiro enquanto tomava banho. Para secar? Comprou um mini varal e pendurou na varandinha gourmet. Resultado: levou uma multa do condomínio por utilizar de forma incorreta as áreas de uso comum. Sim, a varanda é dele, mas… Tem regras de comportamento: de acordo com o síndico profissional: “É para evitar que o prédio se transforme numa Veneza brasileira com varais e roupas penduradas na fachada do edifício”…

Se já é ruim para quem anda com as duas pernas, fica ainda pior para quem tem dificuldade de locomoção e necessita de cadeira de rodas, tem órtese, prótese, bengalas ou andadores. O problema maior para esses casos é que a unidade habitacional necessita de obras de construção civil para que possa ser utilizada por esses usuários. A adaptação de um apartamento já construído eleva o seu valor dependendo, por exemplo, do número de portas que serão substituídas, pois não tem um vão livre de pelo menos 0.80 m como banheiros, lavabos, lavanderias e outros. As alturas de bancadas, interruptores, tomadas armários entre outros itens precisarão de alterações, elevando o custo final da unidade para o morador. Todas essas alterações precisam de arquitetos, engenheiros, pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores, marceneiros, azulejistas… Se as alterações forem pensadas ainda na planta, os custos são insignificantes no total do investimento para a construção, pois nesse caso, as adaptações ocorrem ainda na fase do projeto.

Para quem tem curiosidade em ver uma planta de uma unidade do tipo studio feita pelo Marcelo Sbarra para uma pessoa com dificuldade permanente de caminhar ou subir degraus, veja a ilustração abaixo.

A dimensão mínima necessária para que a locomoção em cadeira de rodas possa ocorrer é de no mínimo 24m². É possível desenvolver outros layouts para distribuição de mobiliário viabilizando a inclusão de estações de trabalho, ponto de água e esgoto para uma máquina de roupas do tipo lava e seca pequena além de um lavatório com tampo e cuba de sobrepor no banheiro.

Estou preferindo morar num trailer e até numa kombi. Espécie de casa móvel, podem me levar para onde eu quero ir… Longe, para bem longe desses studios…

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

 

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Mobilidade urbana sustentável: tinha um buracão no meio do caminho

Fonte: Acesse Portal

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma calçada com flores vermelhas estampadas no piso, pedras de diversos tamanhos e cores em volta de arbustos com folhas largas dificultando a locomoção dos pedestres na calçada. Fim da descrição.
Arbustos dificultam a locomoção dos pedestres na calçada (Foto: Helena Degreas)

Por: Helena Degreas*

Um dia desses, estava em sala de aula falando sobre acessibilidade do ambiente construído em áreas urbanas. Para não assustar muito os futuros urbanistas, achei por bem falar sobre mobilidade urbana sustentável, com foco na requalificação dos espaços destinados à locomoção não motorizada – ou seja, locomoção que utiliza a força e energia do próprio corpo para ir de um lugar a outro. Pode ser percorrendo caminhos a pé, ou com rodinhas por exemplo, sejam elas bicicletas, skates, patinetes ou cadeiras.

 

Mobilidade urbana sustentável

É importante conhecer os responsáveis pela criação, manutenção, enfim, a gestão pública dos espaços que acolhem e viabilizam (ou não) o ‘ir e vir’ do cidadão brasileiro. Caminhar a pé ou por rodinhas não acontece apenas em calçadas. Acontece em praças, parques, jardins. Nem bem abri a boca direito para falar sobre o assunto quando, à queima roupa, atiram em mim, a primeira pergunta:

– Profa! A vizinha foi engolida por um buracão na calçada.

– Como é que é?

– Quero saber quem cuida disso.

– Que buracão? De quem era o tal do buracão?

– E buraco tem dono, profa? A mulher se arrebentou inteira. Acho que não viu. Era noite. Não tinha muita luz. A senhora vira e mexe fala de calçadas acessíveis. Para quem, profa?

– Como assim, não tinha luz? A calçada não tinha poste de iluminação de rua?

– Até tinha, profa. Mas a copa da árvore é tão grande que chega a fazer sombra até de noite… (gargalhadas na sala)

– Galhos avançando na calçada e cobrindo a iluminação? Na altura do pedestre?

– Isso, profa. Acho que o maior problema nem é a luz. Ela que use a lanterna do celular. Acho que o maior perigo é o piso da calçada.

– O que tem o piso da calçada?

– É bonitinho, profa. Cheio de pedras, gramas e flores. A vizinha poderia ter desviado pela rua mesmo, andado pelo asfalto…. Mas não! Foi pela calçada. Deve ter ficado com medo.

– Pela rua?! Como assim?! E desde quando pedestre anda pelo asfalto junto com os carros? Medo do quê?

– Carros não, profa! Ônibus. É faixa de ônibus. É certo que sempre tem caminhões estacionados na rua. Mas a faixa é dos ônibus. A velocidade é de 50 km por hora… a calçada é estreita. E tem aquele monte de lixo esperando o lixeiro recolher. Com medo de morrer atropelada pelo caminhão, ela disse que preferia arranhar o rosto com os galhos da árvore e destruir o salto do sapato novo com as pedrinhas que ficam no meio da grama que o vizinho plantou… daí ela decidiu ir pela calçadinha mesmo…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma calçada esburacada, com tampas de caixa de inspeção sem identificação quebradas. Ao lado do meio fio, colado no autor da foto, uma grade de bueiro quebrada e a imagem da lateral de um caminhão estacionado ao lado de quem está fotografando. Fim da descrição.
No meio do caminho tinha um buracão (Foto: Helena Degreas)

– Calçadinha? Galhos de árvores no rosto? Pedrinhas no meio da grama?

– É profa! Deve ter meio metro de largura, se tiver! Bem que o vizinho que está na frente da árvore queria podar, mas a regional disse que era para esperar… se mexer, multa na certa!

– Bom, chega de buracão na calçada. Segunda metade da aula, quero todo mundo aqui dentro com uma pesquisa. Quantas intervenções tem as calçadas em volta da faculdade? Quero saber o nome das concessionárias, que tipo de intervenções foram realizadas e, para o caso de uma reclamação sobre manutenção, existe algum contato para o cidadão? Pode ser? Incluam a legislação que regula a criação e manutenção das calçadas na pesquisa.

 

Horas depois…

– E então? Quem gostaria de iniciar a apresentação?

– Eu! Vi que tem vários buracões aqui em volta da faculdade.

– Sério? Bom… pode começar! De quem são os buracões?

– Bom, profa. São Paulo tem 32 mil km de calçadas. Uns 8 milhões de pessoas andam por elas todos os dias. Os buraquinhos, buracos e buracões tem vários donos. Ou se a senhora quiser, “agentes produtores e mantenedores das calçadas”. Vou citar alguns para a senhora. Vamos lá. A senhora quer que eu comece pelos municipais, pelos estaduais, pelos federais ou começa aqui, pelo bairro mesmo? Os particulares ou os públicos?

– Vejo que já criou uma classificação…

– É profa, organização e método é tudo, como a senhora sempre diz. Mas vamos, lá. O buracão do qual lhe falei… lembrei: não tinha nome. Aliás, nem todo buraco tem nome…. São buracos os mais diversos… muitos deles são buracões sem tampa… devem ter sido retiradas, roubadas…. Acho que não devem ter dono também… devem ter sido abandonados… caixas de inspeção largadas, coitadinhas…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma tampa de caixa de inspeção da empresa TELESP ao lado de uma floreira com borda alta na calçada. Fim da descrição.
Uma tampa de caixa de inspeção é suficiente para prejudicar a acessibilidade (Foto: Helena Degreas)

– Como assim, não tem identificação?

– Pois é profa… tem da Eletropaulo, Telesp, Net, Vivo, Claro, Sabesp. Cetesb, bombeiros, CET, DSV, águas pluviais, Congás, ANEEL, Metrô, PMSP, … toda a empresa tem várias tampas de diferentes tamanhos, subclassificações e formas! Bem legal! Dá para fazer uma composição artísticas juntando todas! Buracos surgem como pragas… uma tubulação rompida causa um buraquinho num ponto, vai ramificando e quando a gente menos espera, vira uma cratera! Já vi carro sendo engolido em asfalto…, mas a vizinha, professora? Engolida por uma calçada? Isso nunca tinha visto não…

– E ela? Como está?

– Tá bem, profa… meio arranhada… não quebrou nada…. Saiu rastejando, de quatro, até o portão da casa dela… os outros vizinhos ouviram os gritos e, de repente, a encontraram escalando as paredes do buracão. Parecia uma cobra se contorcendo… Ela não queria ajuda para sair… Eles ficaram olhando… Depois do susto, parece que ela desembestou a gritar um monte de palavras muito feias dirigidas à mãe e à família do prefeito. Prefiro não repetir aqui, profa. Foi mal. Ela disse que iria processar o governo. Um dos vizinhos que já tinha quebrado o pé por causa de outro buraco, indicou a Defensoria Pública do Estado. E não é que ela descobriu que existiam vários casos como o dela? Um monte de gente se arrebentando por aí… tem que provar que ela se machucou por causa do buraco. Mas se tiver testemunha, laudo médico, fotos… essas coisas todas, dá para processar a prefeitura e ser indenizado. Professora, a senhora sabia que tem até campanha ‘caça-buraco’? Chama-se Calçada-Cilada. Bem legal! Vale conhecer e colaborar. Aí, professora… veja o lado bom da vida… a senhora pode fazer uma corrida de obstáculos numa calçada… nem precisa de academia! Só cuidado para não cair num buracão…

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

 

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O lado sinistro

Fonte: Acesse Portal
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A imagem tem uma composição, com um pedaço de uma folha de sulfite, com um desenho infantil, sem uma definição clara. O desenho está em cima de uma mesa. Abaixo da folha com o desenho está uma toalha branca de crochê bordada. Fim da descrição.
Lembranças: Desenho do filho e toalha de crochê (Foto: Arquivo pessoal)

Por Helena Degreas*

Bebê já grandinho, chegou a hora de levá-lo para a escolinha. Apesar daquela sensação de culpa eterna que ronda os pensamentos de grande parte da vida daqueles que se ocupam da criação dos pequenos, é preciso deixar crescer. Criamos para o mundo e não para nós mesmos.

Desenvolvimento físico, intelectual, socialização e autonomia são competências socioemocionais que podem ser estimuladas a partir da vivência com outras pessoas. Em casa, não conseguiríamos ‘dar conta do recado’ sozinhos.

Numa das primeiras reuniões com os pais, vejo seus primeiros desenhos. Emocionada, começo a ler naquele emaranhado de traços, linhas, pontos e quase círculos a manifestação do seu desenvolvimento cognitivo. Lá estavam seus pensamentos expressos graficamente! Em mais algumas folhas, surgiram alguns recortes em papeis coloridos colados. #MomentoOrgulho.

Olho para a professora e penso numa frase para externar minha gratidão. Não deu tempo. De pronto ela descreve o que vê: “São garatujas. É assim que eles desenham.” Como é que é? Garatuja no meu dicionário significa desenho rudimentar, malfeito e por aí vai. Perguntei: Do que você está falando? Dá para explicar? Provavelmente num dia ruim, a educadora responde: “Seu filho é canhoto”. Fuzilando com o olhar, me questionava: “E daí? Qual é o problema colega? Escreve com a mão esquerda, vai cortar o bife segurando a faca com a mão esquerda….”

Acaso a escola e seus professores não estão instrumentalizados e preparados para colaborar no seu desenvolvimento? É isso? O clima azedou de vez. Adivinhem quanto tempo ele permaneceu por lá…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A Imagem é de uma sala de aula, com diversas carteiras na cor bege, vazias enfileiradas. Entre elas estão cadeiras com braços para destros e canhotos. Fim da descrição.
Salas de aula não estão preparadas para todos (Foto: Arquivo pessoal)

Nos primeiros meses de vida, seguindo a ordem natural e esperada das coisas, ele começou a utilizar uma das mãos com mais frequência do que a outra para segurar o copinho e a colher. Estava expressando, como qualquer ser humano, a preferência quanto à lateralidade corporal. Era a esquerda. Pensei: “Será que isso vai dar algum problema na escola? Final do século 20? Acho que não”. Canhoto, canhestro, esquerdo, inábil, desastrado, sinistro… nem sei quantos sinônimos encontrei. Aqueles ligados aos valores religiosos eram os piores: cão, diabo… em outras palavras, passava-me a impressão de alguém ‘do mal’. Palavrinhas que materializavam condutas e comportamentos sociais construídos a partir de pré-conceitos. O menino aprontava todo o tipo de diabruras…, mas daí a entender que a preferência lateral corporal é ‘do mal’? Eu, hein! Fico imaginado o vasto cabedal de histórias que terei para contar aos filhos do meu filho…

Mas o pensamento retornava, insistindo em me perturbar: “…Com o quê, afinal, estaria eu tão incomodada”?

Lembrei-me de meu primo Ιωάννης e minha avó Eλενη. Primo mais velho, brincávamos juntos quando criança. Por volta dos quatro anos, ele me ensinou a desenhar e a escrever com as duas mãos. Sem perceber, desenvolvi uma nova habilidade. Pouco tempo depois, tive alguns probleminhas durante as aulas de caligrafia na escola tradicional americana que frequentei. Gostava de ‘desenhar as letras de mão’ com as duas mãos. Professoras à moda antiga, decidiram unilateralmente escolher a mão que deveria ‘desenhar as tais letras’. Adivinhem qual era… Anos mais tarde, num dos vários almoços na universidade, ele me confidenciou que sofreu muito na escola. Imagine escrever com a mão esquerda frequentando um colégio religioso repleto de padres professores. Afinal, está claro na Bíblia que ‘À direita de Deus pai, ficam as boas ovelhas’… Já à esquerda ficam… tirem suas próprias conclusões… Sobreviveu à tirania destra, crescendo como um adulto ambidestro.

Minha avó paterna, por sua vez, não frequentou escola. Essa situação não a impediu de aprender a ler e a escrever sozinha. Com ela aprendi a cozinhar, tricotar e fazer peças em crochê, naturalmente, utilizando a agulha com a mão esquerda. Só me dei conta disso, novamente na escola, anos mais tarde, durante as aulas de ‘Prendas domésticas’. Nas aulas, empunhando a agulha na mão esquerda, tive que reaprender o que minha avó querida havia me ensinado, agora com a direita. Para não ser reprovada, reaprendi. Tempos difíceis aqueles…

Mas o quê afinal, ainda me incomodava? Acho que foi minha profissão, mais do que qualquer outra coisa. Como arquiteta e urbanista projeto ambientes, espaços e objetos para uso e fruição das pessoas quer nas atividades diárias do lar, do trabalho e da vida em sociedade. Valores estéticos, sociais, econômicos e funcionais estão sintetizados em cada projeto, em cada objeto e ambiente. Tudo é pensado para ser utilizado de maneira confortável por qualquer um que necessite dos nossos serviços. O projeto é contextualizado nas necessidades dos contratantes, apoiado obrigatoriamente em normas e legislações vigentes, técnicas, materiais e processos construtivos disponíveis no mercado.

Procurei em estabelecimentos comerciais diversos objetos cujo design – projeto em outras palavras –, pudessem adaptar-se e atender plenamente as preferências e habilidades associadas à lateralidade corporal do meu filho para facilitar-lhe o uso em ambiente escolar. Obviamente, mal consegui uma tesoura que, apesar de ter gravado o nome do meu filho, misturava-se às dos demais alunos destros, sendo tratada como ‘aquela ruim que não corta’. Meu filho por sua vez, ia se adaptando ao mundo dos destros. Carteiras inadequadas que levavam a uma postura horrível, mouses, botões, roupas, apontadores, abridores de latas ou até dificuldade na escrita: Já perceberam que a mão esquerda passa por cima do texto que se está escrevendo? Leva-se mais tempo para desenvolver a mesma tarefa. Fico imaginando como escrever com uma caneta tinteiro ou como se resolvem as questões de um cirurgião canhoto…

O fato é que até hoje, 20 anos depois, século 21, apesar dos avanços obtidos por força de lei, cerca de 10% da população mundial ainda precisa desenvolver ‘destreza’, adaptar-se e ser flexível no uso dos objetos, instrumentos de trabalho e ambientes criados para os destros. Quantos são? Cerca de 700 milhões de pessoas adaptam-se ao desconforto para poderem trabalhar ou divertir-se. Algumas situações, de tão corriqueiras, transformam-se em verdades inquestionáveis. Cansei de ouvir de alunos e demais pessoas. “Mas é assim que se faz! E existe outro jeito?” Óbvio que sim. Vários! Coloque-se no lugar do outro. Vá pesquisar. Projetar não tem glamour nenhum: 99% transpiração e 1% inspiração. Resumindo: é muito trabalho.

Retorno à necessária mudança de cultura: Valores e crenças sociais só mudam com a educação. Demora, mas não tem outro jeito. Arquitetos não são capazes de mudar a visão de mundo dos demais 90% dos membros que compõem o grupo dos destros. De minha parte, fui contribuir com a mudança. Apesar de trabalharmos com médias, projetar demanda soluções diferentes para cada contexto. Procurar soluções que atendam habilidades funcionais distintas do corpo, significa em outras palavras, dar as mesmas condições de acesso e uso de ferramentas de trabalho, espaços e ambientes para executar uma tarefa bem: independentemente das habilidades funcionais do corpo.

Ao lecionar disciplinas na área de projeto, solicito aos meus alunos que tomem uma atitude proativa, desconfiando sempre do status quo, revendo processos, rotinas, comportamentos, produtos, normas e até legislações que dificultem de alguma forma, a vida das pessoas. Gosto de imaginar o mundo dos mais variados ângulos e lados. Canhestro, estranho, esquisito, inábil, limitado é aquele que diante de todas as possibilidades e lados opta por um apenas… para mim, sinistro mesmo é ver um lado só da vida.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

Porta para quê?

Portas que atendem as medidas mínimas da norma, podem dificultar o acesso (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

“Quem casa, quer casa”, diz um velho ditado. Como não estavam dispostos a continuar morando na casa dos pais, os dois enamorados decidem investir suas economias num sonho: ter sua própria casa. Rasparam até o último centavo de suas poupanças e contas bancárias; venderam o carro e deram entrada em um financiamento à perder de vista… feitas as contas, vislumbravam o prazo da última prestação – se tudo desse certo, muito provavelmente seus netos estariam dormindo numa casa já quitada…

Móveis comprados, entrega agendada e, com as chaves na mão, foram receber os móveis e organizar os ambientes. Pela porta principal passaram as cadeiras, tapetes, louças… passou até o piano de armário presente de uma tia solteira. O pobre veio deitado de lado no elevador. Desafinou inteiro, mas “tudo bem”, pensou a moça, “depois mando alguém afiná-lo… ele é bonito e quem sabe ela poderia aprender a tocá-lo um dia”.

Chega o sofá. “Doutora, tem um probleminha aqui.” A moça interrompe a arrumação dos armários, e vai de encontro ao rapaz. “Não passa, doutora.” “Não passa o quê?”, pergunta ela. “O sofá, doutora, não passa na porta.” Ela pede para tentar pela porta da sala. Não passava também. Inicia-se o calvário. Atentamente, os dois jovens leem o manual técnico e encontram: 96mm x 292mm x 132mm. Assustados, vão atrás de um conhecido, arquiteto, procurando decifrar o enigma. “Isso mesmo, está correto.” Pergunta o rapaz: “mas como assim, não passa pela porta. Isso é certo”? Reafirma: “As portas atendem as medidas mínimas da norma… ou são de 90mm, ou de 80mm ou de 70mm.… sinto informar, mas tanto o projeto como a construtora estão corretos…”

Percebe então que não só o sofá retrátil de canto (esse era o nome da coisa) não passava pela porta, como também nenhum dos eletrodomésticos profissionais que haviam à duras penas, adquirido. “Quem mandou gostar de cozinhar? Quem mandou gostar de receber pessoas?”, ruminava consigo mesma.

Transtornada, a jovem vai em busca das normas técnicas. Encontra uma norma: a NBR 15930 (2011) – Portas de madeira para edificações. Logo de cara, depara-se com as ‘Definições Gerais’. Pensa: “e precisa definir o que é porta? Será que as pessoas não sabem o que é uma porta? Será que nem todas as culturas do mundo ou povos da terra precisem de portas?”. Mais adiante, lê: “componente construtivo cuja função principal é de permitir ou impedir a passagem de pessoas, animais e objetos entre espaços ou ambientes”. Pois é. Ali estava a resposta. Matou a charada. Se portas tem duas funções principais – permitir a passagem ou impedir a passagem… significava que eles tinham comprado um apartamento cuja função principal das portas era, aparentemente, a de impedir a passagem…

Indignada, foi buscar no porteiro, situação semelhante à que estava passando. Soube então da história de dona Antonieta. Idosa e já com dificuldade de locomoção, passou do uso de bengala, para o uso de muletas e logo depois para o uso do andador rígido. Desta condição, foi direto para a cadeira de rodas. A partir de então, alguns cômodos da casa já não eram mais utilizados por ela e sequer vistos, situação essa que a deixava profundamente incomodada. A reforma tão necessária, fiou para depois, dada a crise econômica brasileira. Estupefata, a jovem questiona: “ela não pode mais usar a casa toda? Pagou por ela e não usa?”

No que responde o porteiro: “parece que não, dona…”, e continua a prosa: “ela só ficava muito, mas muito brava, quando os netos chegavam”. Assustada, a moça pergunta: “brava com os netos? Eram danadinhos? Bagunceiros? Barulhentos?”. “Não”, responde enfaticamente o porteiro. “Ela pegou raiva do apartamento.”

E continuou: “ela não conseguia dar boa noite direito… como a cadeira não passava pelas portas dos banheiros e ela enganchava nas portas dos quartos, ela não conseguia mais dar beijo de boa noite ou embrulhar os netinhos com as cobertas durante as noites frias…”. Penalizada com a história da vovó Antonieta e já conformada com o desmonte das suas portas, ela pergunta: “e que fim levou a dona Antonieta?”, ansiosa por saber o final da triste história. “A dona Antonieta?”, pergunta o porteiro. “Ela está ótima! Vendeu o apartamento e comprou outro. Ficou esperta! Mandou fazer as portas todas largas! De correr! Agora ela vai pra lá e pra cá na casa toda. Consegue até brincar de pega-pega com as crianças por todos os cômodos.” Um pouco mais animada e já terminando a conversa, a jovem pergunta: “e o apartamento dela? Já foi comprado?”

De pronto, responde o porteiro: “foi sim! pela senhora”.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

FONTE: ACESSE PORTAL

Revista Casa Projeto & Estilo: Luxo & Acessibilidade

Danielle Rey, Emmanoel Pires, Érika Nunes, Fábio Yasumoto, Lucas Crepaldi e Olavo Leme

Alunos:
Danielle ReyEmmanoel PiresÉrika Nunes, Fábio Yasumoto, Lucas CrepaldiOlavo Leme
ProfessorasHelena Degreas e Renata Mello
Escritório ModeloAcessibilidade Universal
CursosDesign de Interiores e Arquitetura e Urbanismo

Clientes:

Família contemporânea formada pelo casal (ele é jornalista, 45 anos com habilidades funcionais motoras reduzidas e ela, arquiteta, 40 anos e 1.50m) e três filhos (meninos de 10 e 18 e menina de 16), tem vida social intensa. Encontros, recepções, festas, reuniões de amigos e família fazem parte da rotina de todos os seus membros. Para atender a demanda, os ambientes foram integrados tanto física quanto visualmente sem perder as qualidades estéticas e o conforto. Tecnologias de ponta e planejamento de sistemas áudio e vídeo compõem os espaços que acomodam as atividades de lazer e recreação de todos.

Revista Casa Projeto & Estilo FIAMFAAM - apartamento acessível

Estilo

Moderno, arrojado e sofisticado, o projeto propõe ambientes compostos por materiais, revestimentos e mobiliários com design exclusivo de vários arquitetos e designers, dentre eles, Philippe Starck . As ambientações foram realizadas utilizando uma paleta de cores neutras como branco, preto, beges e cinzas pontuadas estrategicamente com cores vibrantes como amarelo, dourado e vermelho que surgem tanto de objetos decorativos quanto das obras de arte contemporânea distribuídas pelo apartamento.

Casa Projeto & Estilo FIAMFAAM Centro Universitário arquitetura e Design de Interiores

As adaptações

Funcionalidade e eficiências na circulação e acesso a todos os ambientes, mobiliários e equipamentos associado ao luxo, transformaram-se no desafio central para a concepção do projeto. É possível atender clientes com habilidades funcionais diversificadas atendendo às exigências estéticas de todos? A utilização dos princípios de desenho universal, da NBR9050 associados às especificidades ergonômicas e funcionais de cada um de seus membros levaram ao projeto de ambientes que utilizaram predominantemente produtos existentes no mercado de decoração e design. Ajustes nas alturas de poltronas, pufes, mesas e sofás, posicionamentos de tomadas, previsão de circulações amplas e sem barreiras (tapetes foram inseridos em recortes de piso e fixados) e adaptações em bancadas (lavatórios, pias) foram adotadas com o objetivo de gerar qualidade de vida aos seus membros.

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Living e Family room

Sala de estar, home theater, adega, espaço para leitura, sala de jantar apresentam circulações amplas entre os ambientes viabilizando giro completo da cadeira de rodas e espaços para estacionamento e transferência para o usuário.

Lavabo e suítes

Sofisticado, o desenho das bancadas ajusta-se à altura de seus usuários a partir de acionamento de um botão. As barras de apoio com design alemão, confundem-se com os acessórios assinados. As suítes contam com TVs Magic Mirror em painéis de vidro, chuveiros de teto, duchas manuais e banco retrátil (casal) em Corean, material durável e higiênico.

Cozinha e Espaço Gourmet

A bancada central é de uso exclusivo do pai e se prolonga unindo-se com a mesa de refeições de toda a família. As duas cubas são adaptadas e dispõem de torneiras com água quente e fria acionada com alavancas frontais, o cooktop permite aproximação frontal, o forno elétrico e micro-ondas estão dispostos em bancadas baixas e tanto gaveteiros quanto armários utilizam trilhos de correr italianos, permitindo o alcance de alimentos e utensílios.

Suíte do casal

Foi utilizada uma cama biarticulada que permite diferentes posições e ajustes reclináveis realizados por meio de controle manual. Destaque para u uso de cores e texturas (dos papéis de paredes italianos, tecidos e acabamentos importados), para a automação da TV, equipamentos de som e iluminação do quarto (teto, leitura, piso entre outros).

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