Precisamos de um novo design, um design para um mundo melhor

  • Por Helena Degreas
  • 09/05/2024 08h56 – Atualizado em 09/05/2024 09h36

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“Somos a primeira geração a saber que enfrentamos riscos ambientais globais sem precedentes, mas ao mesmo tempo somos a última geração com uma chance significativa de fazer alguma coisa com relação a isso.”

Está cada vez mais perto. O que os cientistas e ambientalistas alertavam há alguns anos está se tornando inegável à frente dos nossos olhos, atingindo nossos amigos e nossas famílias. O calor insuportável, a necessidade constante de ar-condicionado, as mortes de animais e as tragédias climáticas evidenciam o colapso pelo qual colocamos nosso Planeta. Johan Rockström, cientista sueco reconhecido internacionalmente por seu trabalho em questões de sustentabilidade global, afirma: “Somos a primeira geração a saber que enfrentamos riscos ambientais globais sem precedentes, mas ao mesmo tempo somos a última geração com uma chance significativa de fazer alguma coisa com relação a isso.” E o que estamos fazendo? As Nações Unidas se reúnem todos os anos há aproximadamente 30 anos para discutir sobre os impactos da ação humana no Planeta. O problema é que os 194 países buscam fazer acordos unânimes na tentativa de costurar compromissos que, apesar de firmados, não resistem às barreiras políticas e interesses econômicos internos dos próprios países. 

Os desafios que enfrentamos hoje não são tecnológicos. Nosso maior problema é o comportamento humano. A era da abundância, do luxo e da tecnologia também é a era do desperdício, do lixo, da ameaça. A forma como desenhamos nossa vida, o que consumimos, o que produzimos, como remuneramos… tudo precisa ser redesenhado.  Para Don Norman, renomado designer, autor e educador conhecido por seu trabalho de design centrado no usuário e pelo termo “experiência do usuário”, o UX tem se mobilizado a pensar em como todos nós podemos desenvolver uma mentalidade de designers e ajudar a projetar um mundo melhor. Para ele, o comportamento humano está no centro dos problemas que enfrentamos. Mesmo que criemos mais políticas ou tecnologias que visem mitigar as alterações climáticas, o sucesso de qualquer uma destas iniciativas dependerá da vontade e capacidade das pessoas para mudarem o seu comportamento e adotarem novos hábitos. No entanto, é muito difícil mudar. Do ponto de vista da ciência cognitiva sabemos que temos uma tendência natural à inércia. Ela é uma força poderosa em nossas vidas. É incrivelmente tentador e confortável permanecer imóvel, conservar nossa energia. Novas mudanças, por sua vez, ativam o sistema cerebral de resposta ao medo e às ameaças e liberam hormônios do estresse, como o cortisol, que nos deixam ansiosos e inseguros. Há uma tendência natural a procurar a estabilidade, a previsibilidade. Além disso, o cérebro prioriza as informações que recebe por meio dos sentidos. Questões que são difíceis de perceber diretamente, como os efeitos das alterações climáticas podem ser muito abstratas e até pouco confiáveis, tornando-as pouco compreensíveis, sem falar que não são imediatas o que as torna ainda mais intangíveis.Playvolume

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Isto faz com que a maioria das pessoas seja míope na sua tomada de decisões, especialmente sobre o futuro. Cultivamos um pensamento de curto prazo, o que tem comprometido o futuro das próximas gerações e colocado em risco a justiça intergeracional. A justiça intergeracional reconhece que as ações e decisões tomadas hoje têm um impacto significativo nas condições de vida e no bem-estar das gerações futuras. Implica em considerar os interesses e necessidades das gerações futuras ao tomar decisões políticas, econômicas, ambientais e sociais no momento presente. Nossa geração está hipotecando o futuroRoman Krznaric filósofo social e autor do livro: Como ser um bom ancestral, afirma que tratamos o futuro como um posto avançado colonial distante e que assim como os colonizadores europeus ignoraram a presença dos povos originários ao chegar nas Américas, classificando-as como “terra nullis” ou terra de ninguém, nós também estamos pilhando o futuro das próximas gerações e enxergando o futuro como “tempus nullis” ou tempo de ninguém. Precisamos urgentemente imaginar novos cenários, novas formas de viver não somente para nós, mas para todos os seres vivos. Desenhar experiências centradas na vida, na humanidade. Para isso, é fundamental resgatar o simbólico, a capacidade de sonhar e imaginar das novas gerações, combater o analfabetismo do imaginário. Desenhar novas experiências, um design melhor para o mundo, pressupõe imaginá-lo. Ao mesmo tempo que o comportamento humano é o problema, ele também é a solução, porque a solução tem de partir das pessoas. Esticar nossa visão de tempo, olhá-lo com mais profundidade, imaginar novos cenários futuros, considerar os saberes ancestrais, reconhecer a importância de cada ser vivo, tudo isso perpassa a capacidade de nos letrarmos em futuros, e reconhecer que caminhos alternativos podem ser pensados e criados. Este movimento precisa iniciar em organizações, escolas, governos, nos tornando protagonistas e empoderados no enfrentamento dos problemas, assegurando que todas as vozes sejam ouvidas, não somente para garantir o futuro, mas também para libertá-lo. Uma Pedagogia de Futuros, que ensine e transborde ações de esperança e nos ajude no desenho de um mundo melhor. 

A autora da coluna desta semana é a psicóloga e pedagoga Karina Nones Tomelin (@karina.tomelin). Além de mestre em educação, é autora de “Pedagogia de Futuros: guia teórico e prático de letramento de futuros para instituições educativas, empresas e governos”. O convite realizado se deve à urgência do tema relacionado ao design de cidades melhores. Venho reiteradamente escrevendo sobre a urgência na elaboração de políticas públicas urbanas proativas e eficazes relacionadas ao gerenciamento de riscos climáticos e à respectiva obrigatoriedade dos entes federativos em tratar de aspectos preditivos nas questões relacionadas aos extremos climáticos. Que seu texto inspire atores políticos, instituições públicas, empresas e sociedade na elaboração e financiamento de ações práticas para a construção de cidades melhores para milhões de famílias que, em seus lares, aguardam por uma vida digna, em segurança e sentindo-se, dentro do possível, bem.

Age-friendly world: ou ainda, cidades para todas as fases da vida

Fonte: “- pondering” by Jack Kurzenknabe is licensed under CC PDM 1.0 

Ambientes favoráveis ao envelhecimento são aqueles que influenciam e oferecem experiências e oportunidades positivas à vida urbana em qualquer idade ao reconhecer e incluir em seu planejamento que tanto o corpo quanto a mente mudam com o passar dos anos. Incorporam na concepção de seus projetos e ações as mudanças pelas quais corpo e intelecto passam numa fase mais madura da vida, entendendo que os cidadãos têm o direito de viver física e socialmente no lugar que escolheram de forma ativa, produtiva, segura, autônoma, digna enfim.

Para atender à crescente demanda por cidades que atendam às expectativas dos idosos, a Organização Mundial da Saúde – OMS criou um programa direcionado à promoção de ambientes que favoreçam um envelhecimento saudável e ativo. Denominado Age-Friendly World, o programa é adotado por mais de mil cidades em 40 países que compõem uma Rede Global de Cidades e Comunidades favoráveis ao processo de envelhecimento, conhecidas no Brasil como Cidades Amigas do Idoso. Vale ressaltar que o termo Age-Friendly World carrega um conceito mais profundo que não se restringe apenas à população idosa. Trata-se de conceber, planejar, projetar, desenhar cidades para atender a todas as idades e fases da vida de indivíduos, famílias e comunidades.

Ser membro do programa ou receber o Certificado da OMS não significa que as cidades tenham adaptado seus ambientes de forma parcial ou plena. É um reconhecimento dado ao compromisso assumido pela governança local para adaptar a cidade às diretrizes da rede mundial.

Dentre as diretrizes do programa da OMS, destacam-se as ações que devem atender aos oito domínios ou ainda boas práticas para o exercício da vida cotidiana em cidades e que podem impactar na qualidade de vida e saúde da população. São eles:

• Espaços ao ar livre e edifícios;
• Transportes;
• Habitação;
• Participação social;
• Respeito e integração social;
• Participação cívica e emprego;
• Comunicação e informação;
• Apoio da comunidade e serviços de saúde.

Além destes 8 domínios ou práticas e ações, mais uma categoria foi incorporada:

Escolhas locais

Em nosso próximo post, falaremos sobre este e outros assuntos vinculados ao urbanismo e à adaptação e projeto de nossas cidades para todas as fases da vida.

 

 

Desenho Universal: projeto para um apartamento acessível (turma 2º/2010)

Estudo das questões projetuais da acessibilidade às edificações considerando os aspectos relacionados às pessoas portadoras de deficiência.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

Aprimorar o entendimento da influência das decisões arquitetônicas na acessibilidade e segurança de uso das edificações. Além disso, são aprofundados os conhecimentos sobre instrumentos que podem ser empregados para proporcionar melhores condições de acessibilidade resultando num projeto arquitetônico de qualidade e que atenda plenamente às necessidades do usuário final.
Melhorar a formação dos profissionais no conhecimento sobre acessibilidade, da situação do espaço construído em relação a sua adaptação às exigências da sociedade, das possibilidades de se obter maior desfrute dos espaços.
Planejamento e a adequação do ambiente urbano e dos sistemas de deslocamento sobre a cidade.
Estudar a Legislação relacionada ao tema.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Conceito de desenho universal; Sociedade inclusiva; Cidade Acessível; Espaços acessíveis que atendam aos princípios do desenho universal; Variedade de necessidades dos usuários, autonomia e independência; Ambiente construído: a adequação e adaptabilidade da estrutura, das instalações; Mobiliário e equipamentos adaptados; Garantias Legais de Acessibilidade.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

CAMBIAGHI, Silvia. Desenho Universal: métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. São Paulo: SENAC, 2008.
MATARAZZO, Claudia. Vai encarar? : a nação quase invisível de pessoas com deficiência. São Paulo: Melhoramentos, 2009.
NBR 9050. Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências a edificação, espaço, mobiliário e equipamento urbanos.
SÃO PAULO (Cidade) Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano. Comissão Permanente de Acessibilidade. Guia de acessibilidade em edificações. São Paulo: CPA, 2002.
Normas Técnicas.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

GOLDSMITH, Selwyn. Design for the disabled. New York: McGraww-Hill Book, 1990.
PREISER, Wolfgang F.E.; OSTROFF, Eliane (editors). Universal Design Handbook. New York: Mc. Graw Hill, 2001.

ENDEREÇOS ELETRÔNICOS

Biblioteca com diversos arquivos em PDF: Disponível em: http://www.desenhouniversal.com
acesso em 04.05.09 as 21:30:20
Guia de acessibilidade nas edificações. Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/imgs/cart_aces_edificacoes.pdf
acesso em 04.05.09 as 22:20:30
Guia de acessibilidade urbana: Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/imgs/cart_aces_urbana.pdf
acesso em 04.05.09 as 20:25:20
http://www.usp.br/fau/cursos/graduacao/arq_urbanismo/disciplinas/aut0217/Mobiliario_Urbano_Antropometria.pdf
acesso em 04.05.09 as 24:32:25
http://helenadegreas.com.br
Acesso em 07.01. 2010 as 11:11:28
http://derrubandobarreirasacessoparatodos.blogspot.com/
Acesso em 04.01.2010 as 11:12:35

O Exercício
Desenvolver o layout de um apartamento para um casal com dois filhos pequenos gêmeos. A mãe é jornalista e o pai advogado paraplégico. O casal gosta de receber amigos e familiares com bastante frequência. A cozinha deve ser acessível para o advogado que gosta de elaborar pratos e lanches para sua mulher e filhos.

Os Trabalhos

Danielle Almeida e Marina Corain

Projeto Completo


Leandro Oliveira
Projeto Completo
Camila Gomes e Bruna de Oliveira

planta: layout
planta baixa do closet (senhor)
planta baixa do BANHEIRO (senhor)
PERSPECTIVAS dos ambientes projetados

 

Amanda Harzheim e Anna Amélia Ribeiro

pesquisa e perspectivas
planta baixa layout

 

Marcelo Góes e Marcela Stripelkis

 

 

planta baixa
pesquisa e perspectivas

 

Danielle Souza e Karina Isikawa

Design de Interiores: projetos de paisagismo para uma cobertura em área nobre de São Paulo

Projeto de Paisagismo: Designde Interiores

EMENTA
Desenvolvimento de projeto de paisagismo no âmbito do projeto de interiores. Representação e apresentação gráfica dos projetos de paisagismo: materiais de pisos, paredes e espécies vegetais. Introdução ao estudo da vegetação utilizada em ambientes internos e pequenas áreas externas.

OBJETIVOS

  • Introduzir fundamentos de utilização da vegetação no projeto de interiores e sua representação;
  • Apresentar os diferentes materiais empregados em pisos, paredes nos projetos de interiores, sua paginação, representação e quantificação;
  • Compreender as propriedades e características de cada tipo de piso e revestimento. Verificar os efeitos plásticos dos diferentes materiais.
  • Aplicara e representar vegetação em projeto de interiores;
  • Utilizar recursos gráficos na representação de pisos e vegetação.

EXERCÍCIO
Desenvolvimento de projeto de paisagismo em cobertura residencial. Família de alto poder aquisitivo composta por pai (profissional liberal da área de comunicações), mãe (artista plástica) e dois filhos (adultos). Gostam de receber amigos.
Marina Corain & Marcelo Góes (ver)

perspectiva da cobertura

 

Danielle Almeida e Kamila Medeiros (ver)

Projeto de paisagismo: cobertura

 

Mirian Moura (ver)

projeto de paisagismo: cobertura

marcela stripeikis (ver)

projeto de paisagismo: cobertura

Bruna de Oliveira e Camila Gomes (ver)

projeto de paisagismo: cobertura

 

 

 

Projeto de Paisagismo: cobertura

 
Daniele_Moreira_Souza (ver)

Projeto de Paisagismo: cobertura

Karina_Emily_Zilda (ver)

Projeto de Paisagismo: cobertura

Portfólio: algumas reflexões e regrinhas básicas (turma DIP4)

fmonteiro

Parte 1

1. Existe algum tipo de regra para organização de um portfólio?

Sinceramente, eu não acredito em regras para a organização de um material de caráter tão pessoal. O portfólio tem como objetivo oferecer a sua competência e experiência como profissional de uma determinada área de trabalho.

2. Mas então, como saber se o material que estou organizando vai funcionar, atingir seus objetivos?

Depende dos seus objetivos. Seu objetivo é prestar serviços como profissional liberal ou ocupar um função, cargo numa empresa como profissional contratado? Enquanto estamos na faculdade, nossos professores nos orientam, guiam nossos caminhos para o desenvolvimento de habilidades e aquisição de algumas competências profissionais por meio da elaboração de trabalhos, provas, seminários, etc. Sala de aula e mercado de trabalho, não necessariamente andam juntos. Mas isso é conversa para outro post. O fato é que como alunos, nem sempre temos tempo ou somos motivados a pensar no leque de possibilidades de atuação profissional para quando estivermos lá fora. habilidades desenvolvidas podem ser utilizadas em outros ramos de trabalho. Desenvolvido por meio de atividades em grupo a habilidade de relacionamento interpessoal é algo desejável para várias ocupações: qualquer empresa que precise utilizar trabalhos / projetos / produtos / obras  em grupo, gostaria de tê-lo como membro. Em atividades de chefia, seus subordinados certamente acolherão suas solicitações.
Creio que a primeira coisa a fazer é ter claro a quem ou ainda, a que segmento de mercado você pretende atingir. O mercado de trabalho hoje é muito vasto e cheio de oportunidades. Considero um bom início quando você tem claras as posibilidades de atuação.
alguns portfólios de profissionais
http://www.marcelofaisal.com.br/
http://www.maganhoto.arq.br/