Pesquisar para quê?

Neste semestre estarei ministrando a disciplina Metodologia da Pesquisa Científica para o curso de Ciência da Computação/Sistemas de Informação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS.

Todos os dias esbarro com pessoas que consideram a pesquisa uma grande bobagem, coisa de cientista maluco. Quando eu era criança eu me divertia muito lendo os HQs do Professor Pardal. Sei que ele era retratado como um sujeito maluco que criava traquitanas desconjuntadas que resolviam problemas. Quem sabe isso tenha contribuído de alguma forma na imagem que ainda se tem dos pesquisadores qualquer que seja a sua área.

prof pardal

Juro que não entendo como algumas pessoas conseguem emitir uma opinião sem conhecer o assunto do qual estão falando. Sem pesquisa, para mim, qualquer fala tranforma-se em julgamento de ordem moral muito distante dos fatos e da verdade. E pesquisa é coisa séria.

E POR QUE PESQUISAR É IMPORTANTE? QUE DIFERENÇA FAZ NA MINHA VIDA?

  1. Pesquisar é fundamental para profissionais de qualquer área e não só para aqueles que estão na universidade. Empresas realizam pesquisas sistematicamente para aperfeiçoar rotinas, processos, produtos e posicionamento no mercado (gestão por indicadores) por exemplo. Nos hiperlinks que criei, vocês podem encontrar exemplos práticos em áreas de atuação profissional diferentes da sua.Na área do urbanismo, encontramos as Smart Cities. Nelas, gestores públicos enfrentam diariamente o grande desafio de prover serviços ao cidadão com qualidade, administrando os exíguos recursos financeiros de maneira eficaz e transparente integrando a participação popular como ferramenta para a compreensão e solução dos problemas urbanos. A gestão urbana das cidades inteligentes utiliza as TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação como base que sustenta não apenas a eficiência dos processos, mas também a eficácia na solução dos problemas que afligem o cidadão nas áreas de mobilidade, infraestrutura, desburocratização de rotinas internas à administração pública e consequente aumento da produtividade entre outros. O ranking Connected Smart Cities, elaborado pela  Urban Systemse publicado com pelo portal EXAME.mostrou que a cidade de São Caetano do Sul está na 13ª colocação frente as 100 cidades avaliadas.ny
    Fonte:    Exame
    Recomendo aos alunos que assistam Em Movimento: Cidades inteligentes
  2. Variações de um mesmo tema/assunto: sair do lugar comum e das frases chavão ou clichê.  Ao escrever sobre um assunto ou tema, profissionais de qualquer área de atuação devem necessariamente ir além de suas experiências pessoais. Isso porque nem sempre as pessoas para quem você está escrevendo ou falando tem o interesse em ouvir você e sim, desejam saber mais sobre o assunto que você se propôs a falar. Para conhecer mais, é preciso pesquisar e escolher muito bem as fontes de sua pesquisa. Conhecimento-DiagramaPor exemplo, os roteiristas que escrevem qualquer novela ou série de TV, levam anos por vezes, para realizar a pesquisa que fundamenta sua história, Para tanto, contratam pesquisadores para conhecer mais sobre os hábitos, costumes, assuntos que envolvem os personagens, situações e notícias envolvendo questões sociais, políticas e pessoais contextualizadas, cenários, figurinos, músicas e tantos outras informações necessárias para poder construir uma situação verídica. Mesmo os atores fazem muita pesquisa para conseguir vestir e dar vida ao personagem. Não existe isso de “sair escrevendo por aí ou achando algo que saiu da sua cabeça” … A pesquisa muitas vezes aponta caminhos que não conhecíamos e nos leva a pensar em situações que o nosso conhecimento sozinho não nos levaria.
    Deixo aqui dois exemplos que me são muito queridos pois tem a assinatura de minha filha no roteiro e na atuação. A Teia (série da Rede Globo) e O Albatroz.albatroz
    fonte: Adoro Cinema
  3. Fato ou Fake? você já deve ter ouvido muito, mas MUITO mesmo sobre informações que lemos, ouvimos, assistimos que são construídas em situações não comprovadas, irreais e são utilizadas para confundir ou criminalizar alguém: são as Fake News O compartilhamento de informações em redes sociais tem ajudado muito a espalhar informações que não condizem com a realidade dos fatos.Como pesquisadores temos a obrigação de realizar pesquisas completas com fontes primárias inclusive. Checar, verificar a veracidade das informações e dos dados. Ouvir de alguém não basta. “Dar um google” ou “googlar no inglês”, também não. Qualquer um escreve qualquer coisa e posta, publica em meios de comunicação diversos. A disseminação de informações falsas é tão significativa que chegamos à era da pós-verdade Precisamos buscar fontes confiáveis ou construir pesquisas com métodos e instrumentos que venham a testar e a validar ou não nossas hipóteses.ff
    Fonte: ABI – Associação Brasileira de Imprensa
  4. Até para procurar emprego ou oportunidades de trabalho! quem não pesquisa a empresa para onde seu currículo será enviado? os departamentos ou setores para os quais você é mais qualificado?  “Atirar para todos os lados” não resolve. Uma boa pesquisa é sempre o melhor caminhos. Nela autoconhecimento e conhecimento do tipo de trabalho, vaga e empresa é sempre o melhor caminho.             emprego
    Fonte: IStock Getty Images 

O programa da disciplina será disponibilizado em aula nesta quarta-feira. No mesmo dia vou me apresentar, descrever o plano de aulas e com vocês organizar os temas dos trabalhos que serão apresentados ao final da disciplina. Aguardo por vocês e até lá.

Planejamento Urbano: Alcances e Limites

Aula ministrada para consulta

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

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Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

Planejamento Urbano e Limites: aula preparada por Helena Degreas

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Publiquei também no Slidesahre: Planejamento urbano: alcances e limites

Sugestões de Leitura (nos próximos dias estrão publicadas)

 

 

 

 

Dimensionando Escadas

projeto de escadas

Imponente, a escada já estava lá.

Por cinco longos anos, o objeto helicoidal com 1.30m de diâmetro definiu quando eu poderia acessar o andar de cima da minha casa. Como eu odiava aquela coisa.

Preguiça de subir? não: desconforto e insegurança mesmo.

Embora tivesse o tamanho adequado para a sala (estética), dificultava o acesso ao andar superior: portanto, nada funcional. Era até bonitinha tadinha (ferro fundido, anos 80) mas não servia para minha família.

Decidimos então doá-la e construir uma escada funcional, confortável que nos desse menos “preguiça” e mais segurança ao subir/descer.

Exemplo de escada em caracol

POR ONDE COMEÇAMOS A PROJETAR?

Primeiro conhecendo os elementos que compõem uma escada:

  • Piso: é a superfície horizontal onde você pisa, ou ainda, o que chamamos de degrau.
  • Espelho: é a superfície vertical entre um piso/degrau e outro.
  • Patamar: é a superfície horizontal que serve para descanso do usuário. Encontra-se localizada numa altura intermediária que se pretende vencer.
  • Guarda-corpo: é o elemento vertical ao longo das escadas protege o usuário de uma queda eventual.
  • Corrimão: é um elemento de apoio para a mão e que serve para auxiliar o usuário a subir e descer. Pode localizar-se no guarda corpo ou na parede.

De forma genérica, as dimensões mínimas que vocês encontrarão na NBR9050 para projeto de escadas fixas em áreas de uso público são essas:

a) pisos (p): 0,28 m < p < 0,32 m;
b) espelhos (e) 0,16 m < e < 0,18 m;
c) 0,63 m < p + 2e < 0,65 m.

tipos de escada

Como calcular a escada?

  • FORMULA DE BLONDEL
    formula blondel

1. Se quiserem ver um exemplo prático de como se pode calcular uma escada para um pé-direito de 3.00m, vejam o link do Portal 44 Arquitetura.

Escada-Revestida-com-Madeira-Pisos-Paran_

2. Se tiverem interesse (e eu espero que tenham) vejam também as normas de segurança estabelecidas pela NBR 9077 para as Saídas de Emergência em Edifícios.
Nela vocês encontrarão os detalhes necessários não apenas para a execução do seu projeto bem como para a obtenção de licenças e alvarás municipais, estaduais e até federais.

Maiores explicações sobre o projeto de Saídas de Emergência em Edifícios vejam nos links que deixo aqui. São do Prof. Marcelo Sbarra:

Escadas de Incêndio: dimensionamento I

marcelo sbarra: NBR9077

Escadas de incêncio: dimensionamento II

Sbarra: terreo-planta2
Fonte

 

Escadas de Incêndio: casa de máquinas de elevadores

Ático Sbarra
Fonte

Escadas de Incêndio: reservatório superior

Marcelo Sbarra: corte-a-2

 

Por fim, deixo aqui algumas imagens de escadas na pasta do meu Pinterest. Tenho mais de 300 imagens de escadas para visualização:

As ruas de lazer na cidade de São Paulo: políticas públicas e apropriação

Resumo encaminhado ao Congresso PNUM 2018 que ocorreu na cidade do Porto, Portugal entre os dias 18 e 19 de agosto de 2018 com o tema: A Produção do Território: Formas, Processos, Desígnio
Image result for ruas de lazer acervo estadão

Crianças brincam de corrida de Saco. Fonte: Acervo Estadão: foto divulgação 

A proposta das ruas de lazer na cidade de São Paulo tem sua origem na década de 1970, ainda durante o Regime Militar, como alternativa de espaços livres públicos objetivando o incentivo à prática de exercícios físicos pela população. O programa é retomado a partir de meados da década de 1990, já sob governos democráticos, voltado para atividades de recreação ativa e lazer. Entretanto, este não tem sido vinculado a outras políticas como cultura e saúde, estando sob responsabilidade de órgãos diversos como Engenharia de Tráfego ou Secretaria de Turismo. A solicitação para sua criação depende da ação de munícipes ou associação que os represente, não havendo maiores interações com outras agendas urbanas públicas específicas. A atual normatização, inclusive, com parceria de empresa privada, favorece o fechamento de ruas para a realização de eventos comerciais de entretenimento, embora tenha como objetivo nominal o fomento do uso do espaço público permitindo o acesso à arte, cultura, esporte e lazer. Excetuando o fechamento da Avenida Paulista aos domingos por ação da municipalidade, uma das principais da cidade com imenso afluxo de pessoas, podendo até ser caracterizada como um parque dada à natureza de sua livre apropriação e usos – o programa das ruas de lazer possui baixo impacto. A localização das vias que integram o programa nem sempre corresponde aos bairros onde existe maior carência de espaços livres públicos, como alternativa válida para ampliar as opções. O mesmo ocorreu com o programa de incentivo à criação dos parklets, inicialmente pensados como alternativas de espaços livres em áreas periféricas da cidade, densamente construídas, densamente habitadas. Sua implantação foi mais intensa em áreas de maior infra-estrutura, ligadas a estabelecimentos comerciais como atrativo aos clientes. As ruas que correspondem ao sistema básico de apropriação e realização da esfera de vida pública ainda são estruturas pensadas para a circulação de veículos. Vias compartilhadas ou projetos urbanos de readequação e melhoria de calçadas surgem primeiramente da ação individual de empreendedores, e não do poder público que não consegue se antecipar e acompanhar o ritmo das mudanças da sociedade frente a estes espaços. Políticas públicas implantadas em outras cidades como Nova York ou Londres onde o uso das ruas e suas transformações integram amplas ações voltadas para a saúde pública ou cultura como o caso da Exhibition Road, aqui chegam como projetos desconectados, de potencial subaproveitado, enquanto ações isoladas.

Palavras-chave: Ruas de lazer, apropriação, políticas públicas, agenda urbana, espaços livres

autores

Helena Degreas (LABQUAPA FAUUSP; Brasil) Ana Cecilia de Arruda Campos (Pontifícia Universidade Católica de Campinas LABQUAPA FAUUSP; Brasil)

Referências

CAMPOS, A.C.M.A. (Org.); QUEIROGA, E. F. (Org.) ; GALENDER, F. (Org.) ; DEGREAS, H. N. (Org.) ; AKAMINE, R. (Org.) ; MACEDO, S. S. (Org.) ; CUSTÓDIO, V. (Org.) . Quadro dos sistemas de espaços livres nas cidades brasileiras. 1. ed. São Paulo: FAUUSP, 2012. v. 1. 368p .

DEGREAS, H. N.; KANEKO, R. A. ; LEITE, G. R. . Mobilidade urbana: o caminhar pela cidade de São Paulo. INSITU, v. 1, p. 129-142, 2017.

Campanha Calçadas do Brasil 2018

Andar pelas calçadas brasileiras não é tarefa fácil. Conceitos como “caminhabilidade” ou ainda Walkability  apontam para cidades que acolhem a presença das pessoas que nelas vivem, que passeiam, que trabalham, que fazem compras ou que apenas observam a vida urbana.  Desde  meados do século passado, nossas cidades foram se adaptando à locomoção motorizada e, a partir daí, tomando a forma mais adequada para um novo cidadão: o automóvel. Para ele, veículo-cidadão, foram criadas ruas lisinhas e que não podem ter um único buraco! Para ele, veículo-cidadão-motorizado, foram criadas sinalizações adequadas que não devem em hipótese alguma, atrapalhar seu deslocamento e velocidade!

Calçadas do Brasil
é mesmo uma calçada?

E como ficamos nós que nos locomovemos  a pé? será que algum dia seremos mais cidadãos do que o veículo-cidadão? Continuaremos a caminhar nas condições indignas oferecidas pela calçada acima e com a omissão da prefeitura? Dá para considerar o caminho que faço todos os dias, natural?  Inúmeras das cidades brasileiras que visitei com meu grupo de pesquisa (QUAPA-SEL FAUUSP) nem calçadas tem… parece incrível, mas calçada não é plataforma de governo municipal e raramente é reconhecida como parte da infraestrutura de locomoção urbana.

Agora vou mostrar do outro lado da rua:

Calçadas do Brasil
mesa para clientes, fios, cadeiras para clientes, degrau para entrar no boteco tem, mais fios, poste, fios, orelhão e mais fios tem: e passeio tem?

Vejam que interessante: a calçada foi remodelada para atender a clientela do bar. Entre as mesas e a faixa das prestadoras de serviços públicos (onde estão os postes), tem-se cerca de 0.60 cm. falta de respeito é pouco e mais: cadê a Prefeitura Regional  de Pinheiros que não toma nenhuma atitude? Será que não leram o Cartilha para Calçadas Acessíveis?

É por essa razão que decidi colaborar com a Campanha Calçadas do Brasil. Veiculada pelo Portal Mobilize, a campanha tem por objetivo avaliar as condições de caminhabilidade das calçadas brasileiras.

Campanha Calçadas do Brasil

Questões que podem avaliar a sensação de segurança do pedestre quanto à inclinação, iluminação noturna, existência de irregularidades ou obstáculos na circulação do pedestre e sinalização para travessia, faróis e demais elementos são avaliadas por esse formulário. Finalizada a avaliação, a plataforma terá uma espécie de “raio X” das condições de civilidade oferecidas pelo poder público ao cidadão de fato, aquele que vota e exige uma cidade digna.

Ricky e Marcos: divulguem o resultado, mesmo que parcialmente,  ANTES das eleições.

Eu, cidadã eleitora, agradeço!

Sugestão de leitura:
Movido pela Mente

O livro MOVIDO PELA MENTE conta a história de Ricky Ribeiro, jovem que dedicou sua vida à atividade física, até descobrir que estava com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), doença degenerativa que impossibilitou seus movimentos. Através da história de todos os meios de transporte que Ricky experimentou em diferentes partes do mundo, o livro traz reflexões sobre mobilidade urbana, urbanismo, caminhabilidade, calçadas e acessibilidade. E narra a sua trajetória de liberdade e movimento, até a descoberta do diagnóstico e sua singular forma de superação. Hoje, da sua cama, apenas com o movimento dos olhos, Ricky coordena o maior portal de mobilidade urbana do país, o Mobilize Brasil, empenhando a própria imobilidade para melhorar a forma de outras pessoas se moverem.

 

XIII Encontro Científico e de Iniciação Científica Anhembi Morumbi

Alunos após a apresentação de seus trabalhos!!!

QUANDO E ONDE ACONTECEU O ENCONTRO: 02 de dezembro de 2017. Local: Universidade Anhembi Morumbi Endereço: Rua Casa do Ator, 275 – Campus Vila Olímpia

QUEM PARTICIPOU:
Drª Helena Napoleon Degreas (Programa de Mestrado Profissional FIAM-FAAM) e Profa. Raquel Duarte Pires ((Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Coordenação de Sala 638 – 2º andar – Unidade 6 – Campus Vila Olímpia Mesa Temática: Arquitetura e Urbanismo

Categoria: DISCENTE DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 

Título: Uma reflexão acerca dos instrumentos de regulação urbanística do município de São Paulo e a produção de apartamentos Studio: localização ou habitação?
Autor(es): Helena Degreas, Raquel Duarte Pires (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário – Programa de Mestrado

Categoria: Discente de Pós-Graduação Stricto Sensu
Título: Edifício espetáculo: a Estação da Luz como Museu da Língua Portuguesa, o projeto de arquitetura para a cultura de consumo.
Autor(es): Cidomar Biancardi Filho (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Dra. Priscila Arantes
Instituição: Universidade Anhembi Morumbi

Categoria: DISCENTE DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Título: Apartamentos studio em São Paulo: um estudo sobre os apartamentos ultracompactos

Autor(es): Bruna de Oliveira Rosa e Silva

Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

 

Título: Sistemas de espaços livres, morfologia e tipologia urbana: a Avenida Paulista sob a ótica da arquiteta Rosa Grena Kliass
Autor(es): Enill Alves Avalle
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitario

Título: (Re)pensando e (Re)qualificando a rua: o uso de ferramentas de mensuração para a compreensão e avaliação do desempenho físico e espacial urbano
Autor(es): Davi Ramalho Oliveira da Silva e Fernanda Cavalheiro Rafael Junior
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Título: Do plano macro ao micro, qual o lugar da favela nos projetos urbanos de São Paulo: o caso do Polo Institucional Itaquera e a Favela da Paz
Autor(es): Fernando Mariano da Silva Junior
Orientador(a): Sergio Luis Abrahão
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Categoria Poster:
Título: Como criar cidades mais caminháveis
Autor(es): Maira Brigitte Moraes Pelissari
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

XIII 1

Por uma vida independente

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um casal de idosos está em uma cozinha preparando alguns alimentos. Fim da descrição.
Arquitetura pode garantir qualidade de vida e independência na melhor idade (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Todos nós queremos ter uma vida independente ao longo de toda nossa vida. Infelizmente, mais cedo ou mais tarde, o corpo começa a perder as habilidades que tanto demoramos a conquistar e começa a ‘reclamar’ com uma dorzinha aqui e uma fisgadinha ali… uma hora porque a tomada parece que ficou mais baixa do que o usual, para levantar do sofá macio o encosto para os braços é necessário ou ainda a parte superior do armário parece inalcançável…

 

Vida independente na melhor idade

Mais cedo ou mais tarde, a casa em que moramos precisará de algumas alterações para poder nos servir de forma mais eficiente com o passar dos anos. Projetar a independência no lar faz-se necessário, quando não, inevitável…

Ao pesquisar aqui por nossas terras a existência de profissionais e escritórios de arquitetura que atendam às especificidades funcionais e necessidades de pessoas mais maduras (conceito sugerido pelo meu colega arquiteto Cidomar), deparei-me com a baixa oferta frente à demanda atual e também futura. A pesquisa também apontou que em alguns casos, o passar dos anos é associado ao envelhecimento e à doença, quase como se fossem sinônimos. Trata-se de uma postura absolutamente equivocada e reducionista para abordar o assunto.

A independência e a capacidade de agir livremente são fundamentais para a qualidade de vida de qualquer ser humano. É possível que doenças crônicas relacionadas à idade possam ocorrer não necessariamente interferindo sobre a mobilidade e habilidades funcionais do corpo ou do intelecto.

Os princípios de desenho universal podem e devem ser utilizado por qualquer profissional de arquitetura e design para a qualidade de vida das pessoas, mas, sozinhos não são capazes de servir de apoio para a sonhada independência.

Ainda que na mesma habitação, o ‘habitar’ toma diferente formas com os anos. Mudam os pensamentos, o estado do corpo, as qualidades e atributos que moldam e definem aquela pessoa e com ele o seu jeito de ser e ver o mundo. Os anos trazem novidades e com elas formas de habitar. Embora o investimento e os tipos de moradia variem muito de uma para outra cultura, países como Inglaterra, Canadá e Estados Unidos apresentam tanto empresas privadas quanto políticas públicas de atendimento à demanda de assistência por tipos de serviço necessários para uma vida independente. São planos e programas que oferecem serviços de assistência diversificada, incluindo opções de habitação, que se adequam aos estilos de vida, saúde e condições financeiras.

Aging in place ou ainda permanecer morando em sua própria casa ao longo de toda a sua vida é uma opção bastante atraente e desejável. A grande vantagem dessa situação é manter-se em local familiar, perto de seus vizinhos e num bairro cujos serviços, comércios são conhecidos facilitando uma vida social autônoma. Nesses casos, os planos oferecidos pelas empresas asseguram serviços de cuidado e manutenção da casa com o objetivo de tornar a vida mais fácil e segura ao morador. Os serviços incluem desde reformas e adaptações de toda a casa até serviços de limpeza e alimentação.

Uma segunda forma de morar é a coletiva e colaborativa. Em vilas, comunidades, residenciais horizontais ou verticais, são condomínios especializados que oferecem programas e serviços especializados como transporte, supermercado, ajuda em tarefas domésticas, cuidados com a saúde e uma rede de atividades sociais (recreação, teatro, viagens, visitas e uma infinidades de atividades culturais) com outros membros do lugar. Nesses casos, diferentemente da casa e mesmo com vida independente, são residenciais projetados exclusivamente para adultos mais velhos e que não desejam cuidar de uma casa ou morar sozinhos. Levam o nome de retirement communitiesretirement homessenior housing ou ainda senior apartments.

Outra forma de morar é conhecida por assisted living residence. Trata-se de uma residência coletiva para adultos que optam, por diversos motivos, por não viver de forma independente. Nos estados Unidos é tratada como uma indústria de vida assistida ou ainda de prestação de serviços altamente especializados que viu seu negócio evoluir do modelo de cuidados pessoais em saúde (com foco em enfermagem como exemplo) para um modelo com foco na sociabilidade e também com cuidados pessoais e saúde.

Mais do que atender aos princípios do desenho universal, esses profissionais deverão estar preparados para a prática do Transgenerational Design. Cunhado em 1986 por James J. Pirk, o conceito trata da prática de conceber e tornar produtos e ambientes compatíveis com os impedimentos físicos e sensoriais associados ao processo de envelhecimento humano e que podem vir a limitar as principais atividades da vida diária quer no lar, quer no ambiente de trabalho que em ambiente social. Coincidência ou não, o conceito surgiu em meados dos anos 1980 paralelamente à concepção do desenho universal como subproduto da Lei denominada Age Discrimination Act of 1975 (ADA) que proíbe uma espécie de “gerontophobia” ou ainda a discriminação com base na idade em ‘programas e atividades que recebem assistência financeira federal’ ou ainda excluindo, negando ou fornecendo serviços diferentes ou de qualidade inferior tendo como base a idade. Empresas como a Microsoft e Intel vêm desenvolvendo produtos ‘amistosos’ para o uso de pessoas com idade mais avançada colaborando na diminuição da tendência de associação do processo de envelhecimento ao de deficiência, declínio ou incapacidade frente às situações de vida.

Embora as oportunidades de investimento e negócios sejam promissores para as próximas décadas, a formação dos profissionais nas áreas de constrição civil, negócios imobiliários, planos de saúde e assistência doméstica para pessoas maduras, precisarão ampliar o leque de produtos e serviços para atender a uma população exigente e com estilos de vida bem mais abrangentes e interessantes do que aqueles tradicionalmente oferecidos como ‘casas de repouso’, ‘cuidadores’, enfermeiros, homecare, flats para terceira idade entre outras variações.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

Projetando na escala do pedestre: métodos e instrumentos de avaliação local

O que ensinamos no Escritório- Modelo: Planejamento e Projeto urbano construídos com foco em produção de espaços públicos adequados à realização das atividades e comportamentos dos usuários com o objetivo de atender à realização da esfera de vida pública. Linha de atuação: – PSPL – Public Space, Public Life (Jan Ghel), Cidade Ativa , Walknomics […]

Mobilidade Urbana produção de espaços livres públicos

O que ensinamos no Escritório- Modelo:

  • Planejamento e Projeto urbano construídos com foco em produção de espaços públicos adequados à realização das atividades e comportamentos dos usuários com o objetivo de atender à realização da esfera de vida pública.

Linha de atuação:

PSPL – Public Space, Public Life (Jan Ghel), Cidade Ativa , Walknomics Principles, SPUrbaismo,  NYC TOD (Bloomberg e Jannet Sadik-Khan), Planmob 2015.

Quais instrumentos foram estudados para a realização do levantamento:

  • Safari Urbano: vem da metodologia do Active Design. A organização Cidade Ativa traduziu e adaptou aqui para o Brasil.
  • Fluxos e Permanências (registros): adaptamos do arquiteto finlandês Jan Gehl.
  • Painéis interativos: metodologia criada pela Cidade Ativa
  • Jay walk ou travessias (registros – SPUrbanismo)
  • Levantamentos fotográficos

Quais leituras são utilizadas para a realização das propostas de caminhabilidade?

O trabalho a seguir, foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2017 pelo escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário e teve por objetivo exercitar a atividade de observação da realidade pelos alunos, a partir da aplicação de instrumentos de avaliação de comportamentos urbanos na escala do pedestre. Para tanto, foi selecionado um local crítico: o ponto de ônibus localizado na Avenida Rebouças – Para Clínicas que fica sob a passarela Prof. Dr. Emílio Athiê.

A sugestão foi apresentada em reunião realizada no início de 2017 pela Câmara Temática de Mobilidade à Pé vinculada ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, Prefeitura do Município de São Paulo). As atividades acadêmicas estavam associadas ao projeto de pesquisas intitulado Mobilidade Urbana e Produção de Espaços Livres, vinculado ao Mestrado Profissional e Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano.

O resultado deste trabalho – .um diagnóstico, encontra-se no link a seguir. O documento apresenta as pesquisas de observação e os instrumentos adotados para que os levantamentos pudessem ser realizados.

Numa próxima etapa, o diagnóstico levará a propostas de intervenção na escala de projeto urbano.

Diagnóstico: Passarela Prof. Dr. Emílio Athiê e Ponto de Ônibus Clínicas

Alunos:  Gregory Bertelli ,Leandro Mendes Mesquita, Maria Alicia Abate, Nathiely Fátima de Miranda, Patrícia Mieko de Angelis Sato, Vitória Raiza Marques Novo

 

 

(Re)pensando a rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

(Re)Pensando a rua: métricas FIAMFAAM
Alunos do Escritório Modelo FIAMFAAM reunidos após aplicação das intervenções viárias

Responsáveis pela criação, organização e implantação do Projeto:

A ação foi realizada pelo ITDP Brasil, com financiamento da Citi Foundation e em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito (BIGRS),  a Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI), o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Vital Strategies, com apoio da Prefeitura Regional de Santa/Tucuruvi, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, da start-up Urb-i — Urban Ideas.

Descrição de nossa colaboração na ação:

Por meio do escritório-modelo, os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário realizaram intervenções urbanas de caráter temporário – urbanismo tático no bairro de Santana, São Paulo, capital. As intervenções foram realizadas com o objetivo de melhorar a segurança do pedestre vez que os dados apresentados pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego apontavam para um grande número de mortes por atropelamento em algumas das interseções viárias do bairro. Após semanas de trabalho que incluíram workhops, palestras, capacitações diversas e a aplicação de instrumentos de pesquisa para o Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS), tradução do termo original em inglês Transit-Oriented Development, as ruas Dr. César, Salete Voluntários da Pátria e Leite de Morais passaram por uma transformação radical: calçadas, ruas e esquinas que antes serviam de estacionamento de automóveis e privilegiavam a fluidez do trânsito motorizado, receberam sinalização temporária horizontal como faixas de pedestres ampliadas, rotatórias, esquinas recriadas e novos parklets priorizando o placemaking ou ainda, incentivando o poder público a criar lugares de estar para pessoas. Todo esse trabalho pretende induzir a redução de velocidade dos automóveis, diminuir a distância de travessia dos pedestres e aumentar a visibilidade (esquinas) entre o motorista e o pedestre, estimulando o respeito à vida e ao Código Brasileiro de Trânsito. Vasos com plantas, cadeiras, guarda-sóis e apresentações culturais diversas transformaram ruas perigosas numa verdadeira “praia urbana” reunindo pessoas em locais antes destinados aos automóveis. As métricas e a tabulação dos dados referentes ao projeto serão encerradas ao final do mês de outubro de 2017. Em novembro, todo o processo incluindo a intervenção urbana ocorrida em 16.09.2017 e um vídeo com as ações serão apresentados na 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Projeto do Escritório Modelo: (Re)pensando a Rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

Escritório Modelo: supervisão Drª Helena Degreas

Alunos:
(inserir lista)

 

Kombis, trailers, studios: a nova moda dos imóveis reduzidos

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma planta baixa de um imóvel com tamanho reduzido. Na imagem, temos algumas especificações para um morador cadeirante. Fim da descrição.
A arquiteta Helena Degreas destaca a nova moda dos imóveis com tamanho reduzido (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Você já pensou como deve ser morar numa habitação de 10 m²? E se, além do tamanho dos imóveis reduzidos, você dependesse de uma cadeira de rodas para se locomover?

Nos últimos meses, um debate acalorado sobre o surgimento de apartamentos studio vêm tomando conta das redes sociais. Com tamanhos que chegam a 10m², essas unidades já colocaram a cidade de São Paulo como a campeã nacional na oferta de mini-moradias . Possível desde a promulgação do Novo Código de Obras do município de São Paulo (COE/2017) que revisou as dimensões mínimas dos ambientes residenciais, qualquer um pode ser proprietário de um miniapartamento com excelente localização urbana. Maior do que uma kombi (7.30 m²) e menor do que um trailer (10,26 m²), os apartamentos Studio são a novidade que cabe no bolso, mas não comportam as funcionalidades de um lar – minha opinião.

A revisão das dimensões mínimas dos ambientes residenciais constantes do COE 2017 e da NBR 15575 associadas ao financiamento de imóveis novos no valor de até 240 mil reais pelo programa Minha Casa Minha Vida da Caixa Econômica Federal, vem facilitando a aquisição de habitações para aqueles que têm renda de até 3 mil e 600 reais.

Dados do IBGE (2010) mostram que 74,9% da população que declarou ter alguma dificuldade para caminhar ou andar (não consegue de modo algum, grande dificuldade, alguma dificuldade) recebe entre 0.5% e 3 salários mínimos estando aptos, portanto, a pleitear o financiamento. Ou seja: cerca de 7% dos brasileiros ou ainda, 13.2 milhões de brasileiros. Deste grupo, um pouco mais de 4 milhões declararam possuir dificuldade de locomoção severa. Desconsiderar essas estatísticas e, com elas as adaptações necessárias para atender a esse público ainda no ato do projeto, na construção ou no planejamento do negócio pelas construtoras é incompreensível em época de crise econômica e com financiamento disponível.

O que ocorre com a unidade propriamente dita: dá para morar em 10m² e, ainda assim, atender a NBR9050 com qualidade? De acordo com o Arquiteto Marcelo Sbarra, não. E eu complementaria: não dá para ninguém morar em 10 m² com um mínimo de dignidade.

As unidades de moradia mínima já existiam no pós-guerra. Com o objetivo de atender a uma camada da população de baixo poder aquisitivo, o movimento modernista previa que a noção de mínimo não se resumia à restrição da área útil e sim à versatilidade de uso do espaço doméstico com áreas claramente definidas que viabilizavam as dinâmicas familiares. Os projetos da época apresentavam uma planta livre integrando ambientes sociais que, pela distribuição de móveis, criaram espaços de usos diversos; banheiros, cozinhas e dormitórios, independentemente do número de moradores, eram compactados e individualizados em cômodos separados.

Ainda, de acordo com Sbarra (2017) “… Embora o Código de Obras estabeleça as dimensões mínimas para quartos, salas, banheiros e cozinhas em NENHUM lugar em NENHUMA lei ou Norma há a definição do que seja um apartamento”. Pois é. Aprova-se a unidade como banheiro + sala. Cozinha transforma-se em área de preparo de alimentos. Um cooktop elétrico de duas bocas resolve o problema. Lavar roupas? Só se for do lado de fora da unidade. Na moda mesmo, é agendar e, em alguns casos, pagar para utilizar uma máquina lava e seca da lavanderia coletiva do condomínio. Soube por um conhecido que o filho dele havia adquirido essa unidade. Por considerar desnecessário lavar as meias e a camiseta numa ciclo completo lava e seca decidiu fazer isso no chuveiro enquanto tomava banho. Para secar? Comprou um mini varal e pendurou na varandinha gourmet. Resultado: levou uma multa do condomínio por utilizar de forma incorreta as áreas de uso comum. Sim, a varanda é dele, mas… Tem regras de comportamento: de acordo com o síndico profissional: “É para evitar que o prédio se transforme numa Veneza brasileira com varais e roupas penduradas na fachada do edifício”…

Se já é ruim para quem anda com as duas pernas, fica ainda pior para quem tem dificuldade de locomoção e necessita de cadeira de rodas, tem órtese, prótese, bengalas ou andadores. O problema maior para esses casos é que a unidade habitacional necessita de obras de construção civil para que possa ser utilizada por esses usuários. A adaptação de um apartamento já construído eleva o seu valor dependendo, por exemplo, do número de portas que serão substituídas, pois não tem um vão livre de pelo menos 0.80 m como banheiros, lavabos, lavanderias e outros. As alturas de bancadas, interruptores, tomadas armários entre outros itens precisarão de alterações, elevando o custo final da unidade para o morador. Todas essas alterações precisam de arquitetos, engenheiros, pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores, marceneiros, azulejistas… Se as alterações forem pensadas ainda na planta, os custos são insignificantes no total do investimento para a construção, pois nesse caso, as adaptações ocorrem ainda na fase do projeto.

Para quem tem curiosidade em ver uma planta de uma unidade do tipo studio feita pelo Marcelo Sbarra para uma pessoa com dificuldade permanente de caminhar ou subir degraus, veja a ilustração abaixo.

A dimensão mínima necessária para que a locomoção em cadeira de rodas possa ocorrer é de no mínimo 24m². É possível desenvolver outros layouts para distribuição de mobiliário viabilizando a inclusão de estações de trabalho, ponto de água e esgoto para uma máquina de roupas do tipo lava e seca pequena além de um lavatório com tampo e cuba de sobrepor no banheiro.

Estou preferindo morar num trailer e até numa kombi. Espécie de casa móvel, podem me levar para onde eu quero ir… Longe, para bem longe desses studios…

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

 

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